Economia

Petrobras tem a maior margem de lucro entre as grandes petroleiras do mundo

Levantamento da FUP com o Dieese aponta 29,15% no primeiro semestre, à frente da Aramco e das supermajors

A Petrobras registrou margem de lucro de 29,15% no primeiro semestre de 2026, a maior entre as grandes petroleiras do mundo, segundo levantamento da Federação Única dos Petroleiros (FUP) coordenado pelo economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O estudo foi divulgado nesta quarta-feira, 16.

O indicador mede quanto de cada real vendido sobra como resultado. Pelo cálculo da federação, de cada US$ 100 em vendas da estatal brasileira, US$ 29,15 viraram lucro no período.

Como ficou a comparação

O levantamento coloca a companhia brasileira à frente da saudita Aramco e de todas as chamadas supermajors ocidentais. A ordem apurada para o primeiro semestre é a seguinte:

  • Petrobras: 29,15%
  • Saudi Aramco: 25,48%
  • Chevron: 18,01%
  • ExxonMobil: 16,33%
  • BP: 14,83%
  • Equinor: 12,84%
  • Shell: 9,94%
  • TotalEnergies: 9,44%

A diferença entre a primeira e a última colocada é de quase 20 pontos percentuais. Entre a Petrobras e a Shell, a margem da estatal brasileira é praticamente o triplo.

O que explica a margem

Segundo o estudo, o resultado vem da combinação entre aumento de produção, elevação dos preços internacionais do petróleo, redução de despesas gerais e operação integrada de produção e refino. O custo de extração no pré-sal, mais baixo que a média mundial, é o ponto que sustenta a diferença em relação às concorrentes que dependem de campos maduros ou de óleo não convencional.

A integração entre produzir e refinar também pesa. Empresas que compram petróleo de terceiros para abastecer suas refinarias têm margem comprimida quando a cotação internacional sobe, enquanto a companhia que extrai o próprio óleo captura o ganho nas duas pontas.

O dado tem origem sindical, e isso importa para a leitura. A FUP defende há anos a ampliação do parque de refino e a limitação da distribuição de dividendos, e usa a comparação de margens como argumento para sustentar que há espaço no caixa para investimento. A federação apresentou neste ano um conjunto de propostas sobre preços e refino.

Do lado do acionista minoritário, margem alta significa capacidade de pagar dividendos e de financiar investimento sem dívida nova. Do lado do consumidor, a leitura é outra: uma margem dessa ordem indica que a diferença entre o custo de produção e o preço praticado permanece larga, discussão que volta sempre que o preço do combustível entra na pauta do Congresso.

O peso do pré-sal na conta é conhecido. O campo de Tupi sozinho ultrapassou 4 bilhões de barris de óleo equivalente produzidos, marca que nenhuma outra área da companhia alcançou e que ajuda a explicar por que o custo médio de extração brasileiro pressiona menos o resultado do que o das concorrentes.

Há ainda o componente societário. A União é a acionista controladora da companhia, e margem elevada se converte em dividendo para o Tesouro, em imposto e em participação especial paga aos estados e municípios produtores. Cada ponto percentual de margem, portanto, aparece tanto no balanço da empresa quanto na arrecadação pública.

A Petrobras não comentou o levantamento. Os números oficiais da companhia constam do relatório do segundo trimestre publicado no portal de relações com investidores, base a partir da qual o estudo foi montado.

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