Lula diz a pastores que não faz política dentro de igrejas
O encontro no Planalto reuniu 21 líderes religiosos do Brasil, dos EUA e de Cuba a 18 dias do primeiro turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou a pastores evangélicos, nesta quarta-feira, 16, no Palácio do Planalto, que não faz campanha dentro de igrejas. A declaração foi dada durante encontro com a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que reuniu 21 pastores e representantes religiosos do Brasil, dos Estados Unidos e de Cuba.
"Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja", disse Lula, segundo o Poder360. Ele classificou a religião como "uma coisa sagrada" e justificou a posição pelo respeito ao espaço de fé e ao momento de cada pessoa com Deus.
Quem estava na sala
Participaram do encontro o advogado-geral da União, Jorge Messias, e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Messias, que é evangélico, afirmou durante o evento que "a mensagem de Cristo não é a tomada de um reino político. A mensagem de Cristo não é a tomada de um governo. A mensagem de Cristo é a mensagem do amor, da compaixão, de suportar o irmão, de apoiar o irmão".
Lula também antecipou o teor do discurso que fará na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, com foco em paz e na responsabilização dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.
O contexto eleitoral a 18 dias do voto
A reunião ocorre a menos de três semanas do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro. O eleitorado evangélico é um dos que mais crescem no país: o Censo Demográfico de 2022 do IBGE registrou 47,4 milhões de brasileiros declarados evangélicos, ou 26,9% da população.
É também o segmento em que o desempenho eleitoral do PT tem sido historicamente mais baixo. A aproximação com lideranças religiosas alinhadas ao governo se dá em um ambiente em que pastores de maior projeção nacional têm manifestado apoio a candidaturas de oposição.
O que a lei eleitoral diz
A legislação brasileira não proíbe que fiéis manifestem preferência política, mas veda o uso de bens e estruturas de entidades religiosas em favor de candidatos, e a Justiça Eleitoral já aplicou multas em casos de pedido explícito de voto em cultos. A declaração de Lula se alinha a essa fronteira legal e serve, ao mesmo tempo, de aceno a um eleitorado que o governo tenta recuperar.
O Planalto não divulgou nota oficial sobre o encontro até a publicação desta reportagem.