Copom decide a Selic em 15 e 16 de setembro com corte no radar
Taxa está em 14% ao ano e o Boletim Focus mantém a projeção de 13,75% para o fim de 2026 pela quinta semana seguida
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne na próxima terça e quarta-feira, 15 e 16 de setembro, para definir a taxa básica de juros. A Selic está em 14% ao ano desde a reunião de agosto, e a mediana do mercado aponta um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa a 13,75%.
A projeção vem do Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 8. O relatório, que reúne as estimativas de instituições financeiras, manteve a Selic em 13,75% para o fim de 2026 pela quinta semana consecutiva. Para 2027, a mediana segue em 12%; para 2028, em 10,50%; e para 2029, em 10%.
Se a projeção se confirmar, será o quinto corte seguido no ciclo de afrouxamento. O comunicado da decisão sai na noite do dia 16, acompanhado da avaliação do comitê sobre inflação e atividade econômica. A ata da reunião costuma ser publicada na terça-feira seguinte, o que colocaria o documento em 22 de setembro.
O que o Focus projeta para a inflação
O mesmo boletim traz o IPCA de 2026 praticamente estável, em 5,00%, ante 5,01% na semana anterior. Para 2027, a estimativa subiu para 4,29%, a quarta alta consecutiva.
O número de 2026 continua acima do teto da meta de inflação. É esse desconforto que sustenta a leitura de que o Banco Central deve seguir cortando em passo curto, de 0,25 ponto por reunião, em vez de acelerar o ritmo.
A projeção estável do Focus para a Selic no fim do ano tem uma leitura direta: se o mercado enxerga 13,75% em dezembro e o corte esperado para setembro já leva a taxa a esse patamar, a expectativa embutida é de que o comitê pare depois desta reunião e mantenha os juros até o fim de 2026.
Quanto o juro alto custa
A Selic é o preço que o Tesouro paga para rolar a parcela da dívida pública indexada à taxa básica. Quanto mais alta a taxa, maior a despesa com juros, e essa despesa não disputa espaço no Orçamento com nenhuma outra: é obrigatória e cresce sozinha.
Quando o Copom levou a Selic a 14% em agosto, a dívida pública federal estava em R$ 9,27 trilhões, como mostrou reportagem do Resenhando sobre a decisão daquela reunião. Cada fração de ponto a menos na taxa alivia essa conta ao longo do tempo, mas o efeito é lento, porque depende do prazo em que os títulos vão vencendo e sendo trocados por novos.
Do lado de quem toma crédito, o repasse também é gradual. A taxa de juros de cartão, cheque especial e crédito pessoal responde à Selic com defasagem e prêmio de risco próprio, o que faz com que o corte no juro básico demore a aparecer na prestação.
O Banco Central não antecipa decisões do comitê, e o Focus mede expectativa de mercado, não compromisso da autoridade monetária. A confirmação, ou não, do corte de 0,25 ponto só vem no comunicado da noite de 16 de setembro.