Economia

Indústria e centrais chamam de tímido o corte da Selic para 13,75%

CNI, CBIC, CUT e Força Sindical cobram ritmo mais rápido do Banco Central; juro real segue perto de 9% ao ano

Entidades da indústria e centrais sindicais consideraram tímido o corte da taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na quarta-feira, 16. A redução de 0,25 ponto percentual é a quinta consecutiva do ciclo. As manifestações foram divulgadas pela Agência Brasil.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, cobrou continuidade e ritmo maior no ciclo de queda.

"É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic. Manter a taxa básica em patamar tão restritivo por período prolongado significa impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade de preços. Há espaço para avançar no ciclo de cortes sem comprometer a convergência da inflação para a meta", afirmou Alban.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Almeida, apontou o tempo de exposição do setor ao juro de dois dígitos. "Estamos com juros de dois dígitos desde o início de 2022, o que representa um grande desafio para o empresário, especialmente em um setor como a construção, que trabalha com projetos de longo prazo e depende de crédito e previsibilidade", disse.

A Força Sindical foi a mais dura. Em nota, a central afirmou que "perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar ainda mais a economia". Para a entidade, a política de juros altos reduz a capacidade de consumo das famílias, enfraquece a confiança dos empresários e desestimula investimentos.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Neiva Ribeiro, defendeu que a discussão ultrapasse os indicadores financeiros. "Juros menores significam condições mais favoráveis para o crédito, investimentos, geração de empregos e redução do custo financeiro que pesa sobre famílias, empresas e o orçamento público", afirmou.

Os números ajudam a dimensionar a distância apontada pelas entidades. Com inflação acumulada de 4,22% em 12 meses até agosto e meta de 3% ao ano, o juro real do país fica em torno de 9% ao ano. A taxa real neutra estimada pelo próprio Banco Central é de 5% ao ano, diferença de cerca de 4 pontos percentuais.

É esse intervalo que sustenta o argumento de que a política monetária segue em território contracionista mesmo depois de cinco cortes seguidos.

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