CNI corta a projeção do PIB de 2026 para 1,6% e vê indústria de transformação em queda
Informe do 3º trimestre aponta juros altos como freio e projeta dívida pública bruta de 83,7% do PIB
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) cortou de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A revisão consta do Informe Conjuntural do 3º trimestre, divulgado nesta quarta-feira, 28, e atribui a piora aos juros altos, que pesam sobre a indústria de transformação e sobre os serviços.
A estimativa anterior, de julho, era de 2%. Agora a entidade projeta alta de 1,3% para a indústria (antes, 2%) e de 1,6% para os serviços (antes, 1,9%). A agropecuária foi o único grande setor revisto para cima: de 1,8% para 2,5%, por causa da segunda safra de milho.
Onde o juro mais pesa
A indústria de transformação passou de uma previsão de alta de 0,6% para uma queda de 0,7%. Segundo o documento, o setor sofre com a demanda interna fraca, a piora financeira de empresas e famílias, o aumento dos custos de produção e a entrada de produtos importados. A indústria extrativa segue como exceção, com avanço estimado em 9,1%. A construção mantém alta de 1,5%, sustentada pelo Minha Casa, Minha Vida e por obras de infraestrutura.
"Os setores mais dependentes, mais sensíveis aos juros, que é o caso da indústria de transformação, do comércio e, em alguma medida, os serviços, têm um movimento contrário", afirmou Mario Sergio Telles, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI. Para ele, quem depende do mercado interno é o mais afetado pela taxa básica.
A CNI espera que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual em cada uma das duas reuniões que restam do Copom em 2026, o que levaria a taxa a 13,25% ao ano. O mesmo recorte do juro aparece na avaliação da entidade sobre o custo do crédito para o investimento, tema que a indústria levantou em agosto.
Contas públicas e inflação
Pelas projeções da CNI, as despesas federais crescem 4,6% acima da inflação em 2026, puxadas por benefícios previdenciários, gasto com pessoal e despesas discricionárias em ano eleitoral. A receita líquida sobe 5,9%, com a redução de incentivos fiscais e a limitação ao uso de créditos tributários.
Mesmo assim, o governo federal deve fechar o ano com déficit primário de R$ 54,6 bilhões, ou 0,4% do PIB. A meta só aparece cumprida porque cerca de R$ 67,3 bilhões em precatórios e outras despesas ficam fora do cálculo. Com essas exclusões, o resultado seria um superávit de R$ 12,6 bilhões, equivalente a 0,1% do PIB. A dívida pública bruta deve subir de 78,6% para 83,7% do PIB até dezembro.
Na inflação, a CNI projeta IPCA de 5,15% em 2026, contra 4,26% em 2025. O ritmo tende a acelerar nos últimos meses do ano, segundo o informe. O endividamento das famílias, que já havia batido recorde na pesquisa da CNC, é parte do quadro de demanda interna mais fraca descrito pela indústria.
O que segue de pé
O mercado de trabalho continua como sustentação. A CNI prevê alta de 1,2% na população ocupada e queda do desemprego de 5,3% para 5% até o fim do ano. A massa de rendimentos reais deve crescer 4,6%. No comércio exterior, a balança comercial deve fechar com superávit de US$ 77,3 bilhões, perto de 30% acima do de 2025. As exportações somariam US$ 386,7 bilhões (alta de 10,3%) e as importações, US$ 309,4 bilhões (alta de 6,4%).
O informe completo está no Portal da Indústria, e a cobertura da Agência Brasil traz os mesmos números. O Copom ainda tem duas reuniões neste ano para confirmar, ou não, os dois cortes de 0,25 ponto que a entidade usa como premissa para a Selic de 13,25% em dezembro.