Governo contabiliza 45 casos de violência política após o 2º turno, com 10 mortes
Balanço apresentado por Boulos e pelo Ministério da Justiça não detalha os casos; polícias tratam parte deles como crime comum
Neste texto3 tópicos
O governo federal informou nesta quarta-feira, 28, que acompanha 45 casos de violência política registrados entre sábado, 24, e a noite de domingo, 25, depois da proclamação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Segundo o balanço, os episódios incluem 10 mortes. Os números foram apresentados em coletiva no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e noticiados pela Agência Brasil e pelo g1.
"Dez pessoas foram mortas no Brasil por suas convicções políticas. Isso não é normal", afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que apresentou o levantamento ao lado de integrantes do MJSP.
O que o governo contabilizou
De acordo com a lista apresentada, os 45 casos se dividem assim:
- 10 mortes, três delas de indígenas;
- 14 agressões físicas, espancamentos e esfaqueamentos;
- 7 atropelamentos intencionais;
- 6 casos de abuso de autoridade e violência policial;
- 5 disparos e atentados com arma de fogo;
- 5 casos de violência e coação contra povos indígenas.
Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina lideram o número de ocorrências. Segundo Boulos, as vítimas seriam apoiadores de Lula, e os autores, apoiadores de Flávio Bolsonaro. O g1 registrou que o governo não detalhou os 45 casos nem a situação de cada investigação.
Casos citados e o que as polícias dizem
Entre os episódios de maior repercussão está o ataque à vereadora de Montes Claros (MG) Iara Pimentel (PT), atingida no rosto por um objeto durante um ato na noite de sábado. Ela desmaiou e foi levada em ambulância do Samu. A Polícia Federal (PF) abriu inquérito.
Em outros casos, a motivação política ainda não está estabelecida. Em Santos (SP), o engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha, de 30 anos, morreu depois de ser espancado na madrugada de sábado, quando voltava de um ato e usava adesivo de apoio a Lula. A Polícia Civil trata o caso como latrocínio, roubo seguido de morte, e informa que a motivação política não está comprovada.
No Paraná, Eliseu Pedrozo dos Santos, de 38 anos, morreu na segunda-feira, 26, depois de ser atropelado na noite de domingo durante comemorações pela vitória de Lula. A Gazeta do Paraná, citada pela Agência Brasil, informou que o motorista, embriagado, avançou contra um bloqueio policial e atingiu quatro homens. Ele foi preso, e o bafômetro apontou 0,67 mg de álcool por litro de ar.
O g1 também relatou um episódio em Três Pontas (MG), em que uma mulher com adesivo de Flávio Bolsonaro foi agredida durante um ato político. Esse caso não consta nas descrições do governo reproduzidas pela Agência Brasil.
Medidas anunciadas
O governo disse que a PF vai investigar os crimes de violência política de gênero, os crimes eleitorais e as violações de direitos humanos. Os crimes comuns continuam sob responsabilidade das autoridades estaduais. Denúncias serão encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), e as corregedorias das polícias estaduais e os Ministérios Públicos dos estados serão acionados nos casos que envolvam policiais. O MJSP pedirá o afastamento dos agentes envolvidos em abusos. A Força Nacional atua na proteção de comunidades indígenas ameaçadas.
O secretário-executivo do MJSP, Ademar Borges, disse que as ocorrências têm naturezas diferentes. "Alguns são crimes eleitorais e alguns envolvem violência política de gênero, que serão investigados pela PF. Já há dezenas de inquéritos instaurados", afirmou. Ele acrescentou que a pasta vai cobrar das plataformas digitais a retirada de conteúdo que envolva crimes graves, com base no decreto que regulamenta o Marco Civil da Internet.
A reportagem não localizou, até a publicação, manifestação da campanha de Flávio Bolsonaro ou do PL sobre o balanço. O senador está nos Estados Unidos depois de deixar o Brasil, como o Resenhando noticiou, e o resultado do segundo turno por estado está no mapa da votação.