Eleições 2026

Eleitores acham portões fechados apesar da prorrogação do voto até as 19h

Relatos do Rio, de Brasília e de São Paulo mostram seções que fecharam às 17h e outras que seguiram abertas

Neste texto3 tópicos
  1. O que o TSE orientou depois da decisão
  2. Seções que fecharam e seções que ficaram abertas
  3. Contexto da decisão

Eleitores que chegaram às seções depois das 17h do domingo, 25, encontraram portões fechados no segundo turno, mesmo com a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação até as 19h. Parte deles recebeu uma Declaração de Comparecimento sem Voto. Os relatos foram reunidos pela Agência Brasil no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo.

A prorrogação foi pedida pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por causa de relatos de dificuldade no transporte coletivo. A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) também havia pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mais horas de votação, em municípios atingidos por chuvas fortes.

O que o TSE orientou depois da decisão

Segundo a reportagem, o TSE enviou a orientação de que a prorrogação valia apenas para as seções que ainda não tinham encerrado a votação às 17h. A instrução chegou quase uma hora depois da determinação de Zanin. Houve mesários que só souberam da medida depois do fechamento das urnas, quando já não era possível reabrir a seção.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, disse na noite de domingo que recebeu o pedido de prorrogação por volta das 15h30 e que consultou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, as prefeituras envolvidas e as equipes técnicas do tribunal. Segundo ele, não havia norma que autorizasse a prorrogação. Nunes Marques afirmou que suas declarações não eram crítica à decisão judicial, e sim resposta aos questionamentos sobre a demora na análise do pedido.

O ministro afirmou ainda que foi preciso bloquear o recebimento dos boletins de urna de todo o país durante a prorrogação, para que ninguém na Justiça Eleitoral tivesse acesso aos resultados antes das 19h. Disse que a medida levantou dúvida sobre a capacidade de armazenamento, mas que a decisão foi cumprida integralmente e a totalização seguiu depois das 19h.

Seções que fecharam e seções que ficaram abertas

No Colégio Pensi, no Flamengo, zona sul do Rio, pelo menos sete pessoas chegaram depois das 17h, quando a escola fechou os portões, e receberam a declaração. O documento, assinado pelo presidente da seção, registra que o eleitor foi até o local e não conseguiu votar. A contadora Manuela Tunas viajou do Uruguai para votar, mas o voo atrasou e ela pousou só às 17h. "Eu consegui chegar até aqui a tempo para tentar votar, já que eles prorrogaram. Mas, eu não consegui", disse.

A aposentada Gina Cláudia Nunes, de 70 anos, foi orientada a ir ao Pensi por pessoas que estavam na porta de sua escola. Lá, ouviu que as urnas estavam fechadas e que a zona dela era outra. "Frustração total", disse. A estudante Gabriele Eduarda de Azevedo afirmou que a diferença entre seções abertas e fechadas causa assimetria.

Em Brasília, a presidente de seção Bruna Lourenço, na Escola Classe 108 de Samambaia Sul, contou que fechou as urnas às 17h, seguindo a orientação da escola, e só soube da prorrogação depois de entregar a mídia e a ata. "Foi uma grande confusão", disse. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) informou que as urnas do DF foram fechadas às 17h em ponto, antes de a informação chegar a mesários e presidentes de seção.

Em São Paulo, o mesário Lucas Suassuna, da seção 309 da 6ª Zona Eleitoral, foi avisado às 17h para não fechar e, por volta das 17h10, para esperar até as 19h. A seção fica perto de estação de metrô e de linhas de ônibus. Ele estimou que entraram no máximo três ou quatro pessoas depois da prorrogação. Em Campinas, a advogada Amanda Vitorino foi a escolas da região e encontrou as portas fechadas, com as urnas já encerradas.

Contexto da decisão

A prorrogação ocorreu no mesmo dia em que o TSE confirmou a reeleição de Lula. Nunes Marques informou que o comparecimento no segundo turno foi de mais de 128 milhões de eleitores, com 99,9% das urnas apuradas, e abstenção de 19,21%, contra 21,08% no primeiro turno. Segundo o ministro, 1.551 das 499.248 urnas precisaram ser substituídas, 0,31% do total. Flávio Bolsonaro, que não reconhece o resultado, afirmou que pedirá a anulação do segundo turno.

O Resenhando já publicou a decisão de Zanin e a fala de Nunes Marques sobre a falta de norma para a prorrogação. A reportagem original está na Agência Brasil, e as declarações do presidente do TSE, na Agência Câmara.