Juros altos são o principal obstáculo ao crédito da indústria, aponta CNI; 76% das empresas citam as taxas
Sondagem com 1.701 indústrias mostra que as taxas perderam peso desde 2025, mas a frustração de quem buscou financiamento subiu
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Os juros altos continuam sendo o principal obstáculo para a indústria brasileira conseguir crédito, de acordo com a Sondagem Especial 107 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira, 9. Entre as empresas que enfrentaram dificuldade para obter financiamento de curto ou médio prazo, 76% apontaram as taxas elevadas como uma das principais barreiras.
Nas operações de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, os juros foram citados por 69% dos empresários. A informação foi publicada pela Agência Brasil.
Como foi feita a pesquisa
A CNI ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto, sobre as condições de crédito enfrentadas de fevereiro a julho de 2026. A amostra reúne 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes indústrias de todo o país.
Juros perderam peso, mas seguem em primeiro
As taxas ainda lideram o ranking de entraves, mas pesam menos que na pesquisa anterior. Em 2025, eram citadas por 80% das empresas no crédito de curto e médio prazo e por 71% no de longo prazo.
"A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas", afirmou, em nota, a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso. A entidade já havia classificado de tímido o corte da Selic para 13,75%.
Depois dos juros, o segundo entrave mais citado no crédito de curto e médio prazo é a exigência de garantias reais, apontada por 33,4% das empresas (31,5% no longo prazo). A burocracia aparece em 13,6% das respostas no curto e médio prazo. No longo prazo, a segunda dificuldade foi o prazo de carência considerado insuficiente, com 18,9%.
Quem tentou e não conseguiu
Quase metade das indústrias, 49,9%, nem tentou contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo no período. Apenas 22,9% conseguiram e 7,5% tentaram sem obter os recursos. No longo prazo, 54% não buscaram financiamento, 15,5% conseguiram e 9,2% tentaram sem sucesso.
Considerando só as empresas que foram ao mercado atrás de dinheiro, a taxa de frustração subiu em relação a 2025. As pequenas e médias foram as mais prejudicadas: no longo prazo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram o crédito procurado, contra 29,9% das grandes.
Crédito de longo prazo para pagar a conta do mês
A sondagem também mostra um uso que chamou a atenção da CNI. Entre as empresas que contrataram ou renovaram linhas de longo prazo, 28,7% disseram que a finalidade principal foi capital de giro, acima de máquinas e equipamentos (23,6%) e de construção ou instalações (11,6%). Linhas longas costumam ser destinadas a investimento, enquanto folha de pagamento, materiais e insumos tendem a ser financiados por operações mais curtas. No curto e médio prazo, quase 60% apontaram o capital de giro como destino do dinheiro.
O que as empresas pedem
Para facilitar o acesso ao crédito, a medida mais escolhida foi reduzir custos tributários e administrativos: 38,4% das respostas no curto e médio prazo e 31,2% no longo prazo. Na sequência vieram:
- ampliação das linhas públicas de financiamento: 22,8% no curto e médio prazo e 26,3% no longo;
- simplificação das exigências bancárias: 21,1% e 22,1%, respectivamente.
O levantamento é da própria confederação e retrata a percepção dos empresários, não o custo médio efetivo do crédito. A CNI também divulgou que o faturamento da indústria caiu 3,5% em agosto.
Fonte: Agência Brasil, a partir da Sondagem Especial 107 da CNI.