Economia

CNI, Apas e centrais criticam Selic em 13,75%; Copom cita inflação acima do teto da meta

Copom manteve a Selic em 13,75% por unanimidade. CNI, Apas e centrais pedem cortes; o BC aponta inflação acima do teto da meta.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano, tomada nesta quarta-feira (4), provocou reação de entidades da indústria, do comércio e de centrais sindicais, que pedem a retomada dos cortes. O Copom interrompeu uma sequência de cinco reduções de 0,25 ponto percentual e voltará a se reunir em dezembro.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou, em nota, que a decisão é "equivocada" e "excessivamente conservadora", porque encarece o crédito de empresas e famílias. O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu novos cortes na reunião de dezembro: "É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário".

O que o Banco Central diz no comunicado

O texto do Copom, divulgado pelo Banco Central, cita um ambiente externo mais adverso, com o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio e efeito sobre o petróleo. No cenário interno, o comitê aponta moderação mais acentuada da atividade, mercado de trabalho ainda resiliente e inflação acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

As expectativas da pesquisa Focus para a inflação de 2026 e 2027 estão em 5,2% e 4,8%, e a projeção do próprio Copom para o segundo trimestre de 2028 subiu para 3,5%. A decisão foi unânime, com votos de sete membros, entre eles o presidente Gabriel Galípolo. O comitê classificou a Selic como "substancialmente contracionista" e disse que o contexto exige "serenidade e cautela".

As críticas ao juro alto

O economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, disse que os juros elevados limitam consumo e investimento e citou a expectativa de expansão inferior a 2% neste ano. A Força Sindical chamou a decisão de "irracional, nefasta e desastrosa", nas palavras do presidente da central, Miguel Torres.

A presidente da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, ligou o juro ao gasto público: "Quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança". O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) atribuiu a manutenção da taxa à pressão do mercado financeiro depois da eleição presidencial e cobrou explicações do Banco Central. O comunicado do Copom não menciona esse motivo.

A próxima reunião do Copom está marcada para 8 e 9 de dezembro. A íntegra do comunicado está no site do Banco Central, e as reações foram reunidas pela Agência Brasil. Para os números do mercado antes da reunião, veja a leitura do boletim Focus e as críticas de André Lara Resende ao BC, ambas publicadas pelo Resenhando.