Focus sobe Selic de 2027 a 12,5% e dólar a R$ 5,34 após a reeleição de Lula
No primeiro Focus pós-segundo turno, mercado eleva Selic de 2027 a 12,5% e dólar de 2026 a R$ 5,34, às vésperas da decisão do Copom.
Os economistas consultados pelo Banco Central passaram a projetar juros mais altos por mais tempo depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 2, a mediana da Selic para o fim de 2027 subiu de 11,75% para 12,50% ao ano, e a de 2028, de 10% para 11%. A taxa básica está hoje em 13,75%.
O levantamento é o primeiro com respostas coletadas depois do segundo turno. Os dados vão até sexta-feira, 30, quando o dólar fechou a R$ 5,446, o maior valor do ano, segundo a Agência Brasil. A moeda subiu 9,15% na semana, a maior alta semanal desde outubro de 2008, e o Ibovespa teve a pior queda semanal desde março de 2020.
O que mudou nas projeções do Focus
| Mediana | 23 de out. | 30 de out. |
|---|---|---|
| Selic no fim de 2026 | 13,25% | 13,50% |
| Selic no fim de 2027 | 11,75% | 12,50% |
| Selic no fim de 2028 | 10,00% | 11,00% |
| Dólar no fim de 2026 | R$ 5,05 | R$ 5,34 |
| Dólar no fim de 2027 | R$ 5,15 | R$ 5,40 |
| PIB de 2027 | 1,31% | 1,20% |
A inflação de 2026 ficou em 5,22%, acima do teto de 4,5% da meta, e a de 2027 está em 4,76%. Para o crescimento, a mediana do PIB de 2026 recuou de 1,80% para 1,76%. Os números são do Banco Central, que divulga a mediana das respostas de instituições financeiras e consultorias, e não a opinião do governo.
Na prática, uma Selic mais alta encarece o crédito e também a dívida pública, que em boa parte é remunerada pela taxa básica. Cada ponto a mais por mais tempo significa mais gasto do Tesouro com juros, dinheiro que sai do bolso do contribuinte e não vai para serviço público.
O que vem antes do próximo Focus
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça-feira, 3, e quarta, 4, e anuncia a decisão ao fim do segundo dia. A mediana do Focus para dezembro, de 13,50%, indica corte de apenas 0,25 ponto em relação aos 13,75% atuais até o fim do ano, com mais uma reunião marcada para 8 e 9 de dezembro. O próximo Focus sai na segunda-feira, 9, já com a decisão do Copom.
A Agência Brasil atribui a pressão sobre os ativos à reeleição de Lula, às dúvidas sobre a política fiscal e à queda das ações de tecnologia no exterior. O mercado aguarda a definição da equipe econômica do segundo mandato e as medidas para as contas públicas. Sobre o controle do Planalto sobre a diretoria do Banco Central e a crítica de André Lara Resende à política de juros, o Resenhando já publicou o contexto.
O governo ainda não comentou as novas projeções. A íntegra do relatório está na página do Focus no site do Banco Central.