Copom decide a Selic em 4 de novembro com dólar a R$ 5,40 após o tombo da eleição
Com a Selic em 13,75%, o Copom decide em 4/11 após dólar a R$ 5,403 e Ibovespa em queda de 13,88%. Veja datas e números.
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne em 3 e 4 de novembro com a Selic em 13,75% ao ano e um mercado que ainda digere o pregão de segunda-feira (26), quando o dólar subiu 8,21%, a R$ 5,403, e o Ibovespa caiu 13,88%, depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O que aconteceu no pregão de segunda
Segundo a Agência Brasil, o Ibovespa fechou aos 176.608,23 pontos, o menor nível de fechamento desde 31 de agosto. Na mínima do dia, chegou a 169.516,43 pontos, recuo superior a 17%, e a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações em quedas fortes. O recuo diário foi o maior desde março de 2020.
O volume financeiro foi de R$ 88,6 bilhões, contra uma média diária de cerca de R$ 25 bilhões. No mês, o índice passou a acumular queda de 5,22%; em 2026, ainda sobe 9,61%.
No câmbio, o dólar comercial bateu R$ 5,605 pela manhã e encerrou a R$ 5,403, a maior alta percentual em um dia desde 13 de janeiro de 1999. A moeda perdeu força ao longo da tarde com realização de lucros e entrada de dólares de exportadores. Mesmo após o salto, o dólar ainda acumula queda de 1,57% no ano. O Tesouro Nacional atuou no mercado com recompra de títulos públicos.
A agência atribui o movimento ao reposicionamento de investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que liderou o primeiro turno. No domingo, Flávio teve 59,8 milhões de votos (48,2%). Em nota, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu o resultado, mas pediu esclarecimentos sobre o que chamou de medidas "eleitoreiras", com "ampliação de gastos públicos" perto da votação.
O que o Copom tem na mesa
A taxa básica está em 13,75% desde 17 de setembro, depois de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto percentual desde 19 de março. A série 432 do Banco Central mostra a Selic nesse patamar até a data da reunião. Na ata de 22 de setembro, o Copom projetou IPCA de 5,2% em 2026 e de 3,9% em 2027, com 3,2% no primeiro trimestre de 2028, acima da meta contínua de 3%. O corte de setembro foi decidido por unanimidade entre os sete membros com direito a voto, presididos por Gabriel Galípolo.
O boletim Focus de 26 de outubro, com dados coletados até sexta (23), esperava Selic de 13,25% no fim do ano, o que equivale a 0,50 ponto de corte em duas reuniões: a de novembro e a de 8 e 9 de dezembro. A mesma pesquisa projetava dólar de R$ 5,05 em dezembro e IPCA de 5,19% em 2026, acima do teto de 4,5% da meta, que admite 1,5 ponto percentual de tolerância sobre os 3%. Essas estimativas não incorporam a reação de segunda.
O Banco Central divulga a decisão em comunicado ao fim da reunião. O próximo Focus sai na segunda-feira (2 de novembro), um dia antes do início do encontro, e será o primeiro a incorporar o novo câmbio.
Datas e números para acompanhar
- 2 de novembro: boletim Focus, com as projeções revistas depois do pregão de 26 de outubro
- 3 e 4 de novembro: reunião do Copom; Selic atual de 13,75% ao ano
- 8 e 9 de dezembro: última reunião do ano
- Fechamento de 26 de outubro: dólar a R$ 5,403 e Ibovespa a 176.608,23 pontos
Para a reação política ao resultado, veja a cobertura do resultado do segundo turno; o primeiro relato da queda na bolsa está em Ibovespa e dólar após a eleição. Fontes: Agência Brasil, Banco Central (série 432, ata do Copom e Focus).