Focus projeta inflação de 5,03% em 2026, acima do teto da meta
Boletim desta segunda (3) também reduz a projeção da Selic no fim do ano de 14% para 13,75%, o quarto ano seguido com juro básico de dois dígitos
O mercado financeiro projeta inflação de 5,03% em 2026, meio ponto percentual acima do teto de 4,5% do regime de metas. O número consta do boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto, pelo Banco Central, na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária que define a taxa básica de juros.
A projeção recuou em relação ao boletim anterior, quando estava em 5,12%, mas segue fora do intervalo de tolerância. A meta contínua de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece o limite superior em 4,5%.
Na mesma coleta, a mediana para a Selic no fim de 2026 caiu de 14% para 13,75%. A taxa está hoje em 14,25% ao ano. Se a projeção se confirmar, o país fechará 2026 com juro básico meio ponto percentual abaixo do patamar atual, ainda em dois dígitos.
Para 2027, o boletim traz IPCA de 4,22% e Selic de 12%. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 é de 1,99%, e a do dólar no fim do ano, de R$ 5,20.
O que diz o boletim
O Focus consolida semanalmente as projeções de instituições financeiras e consultorias acompanhadas pelo Banco Central. O boletim é publicado às segundas-feiras e reúne as expectativas informadas até a sexta-feira anterior. Não é previsão oficial da autoridade monetária.
Os principais números da edição desta segunda:
- IPCA 2026: 5,03% (era 5,12%)
- IPCA 2027: 4,22%
- Selic fim de 2026: 13,75% (era 14%)
- Selic fim de 2027: 12%
- PIB 2026: 1,99%
- Dólar fim de 2026: R$ 5,20
O Focus trata de projeção, não de inflação apurada. Pelo regime de metas contínuo, é o índice acumulado em doze meses, medido mês a mês pelo IBGE, que aciona a obrigação de o presidente do Banco Central enviar carta aberta ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, com as causas do descumprimento, as providências adotadas e o prazo para o retorno ao intervalo.
Como fica a decisão do Copom
O Comitê de Política Monetária se reúne nesta terça-feira, 4, e nesta quarta-feira, 5, na sede do Banco Central, em Brasília. O comunicado com a decisão é divulgado na quarta, após o fechamento do mercado.
O colegiado é formado pelo presidente do Banco Central e pelos diretores da instituição, e se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia, as áreas técnicas apresentam os cenários; no segundo, o comitê vota a taxa.
A Selic é a referência do custo do crédito no país. Ela baliza o rendimento da poupança e dos títulos públicos e o juro cobrado no cheque especial, no rotativo do cartão e no financiamento imobiliário. A transmissão de uma mudança na taxa ao consumidor final leva de dois a três trimestres.
O boletim seguinte, previsto para 10 de agosto, mostrará como as projeções se ajustaram à decisão desta semana.