Faturamento da indústria cai 2% em julho, aponta a CNI
Emprego e massa salarial ficam estáveis, e a capacidade instalada segue abaixo de 78%
O faturamento da indústria de transformação caiu 2% em julho na comparação com junho, informou nesta quinta-feira, 10, a Confederação Nacional da Indústria (CNI). No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o indicador registra queda de 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
O recuo do faturamento foi o único movimento relevante do mês. Os demais indicadores da pesquisa ficaram praticamente estáveis, o que a entidade lê como acomodação do setor em patamar baixo.
Os números de julho, ante junho, e no acumulado do ano são estes:
- Faturamento: queda de 2% no mês e de 0,5% no ano
- Emprego: alta de 0,2% no mês e queda de 0,6% no ano
- Massa salarial: alta de 0,2% no mês e de 0,6% no ano
- Rendimento médio: estável no mês e alta de 1,2% no ano
O percentual de horas trabalhadas na produção subiu 0,2% em julho. A Utilização da Capacidade Instalada passou de 77,3% para 77,4%, alta de 0,1 ponto percentual. No acumulado de janeiro a julho, as horas trabalhadas caem 1% e a utilização da capacidade recua 0,8 ponto percentual.
O que diz a CNI
Para o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, o resultado se explica pela combinação entre juro alto e endividamento das famílias, que reduz a demanda por bens industriais.
"O destaque nesse mês fica por conta do faturamento: houve queda de 2% na comparação com junho. O quadro geral não muda muito em relação ao mês anterior, até porque a maior parte dos indicadores teve uma variação muito pequena", afirmou Azevedo em nota.
Segundo o gerente, "a elevação da taxa de juros e o endividamento das famílias vêm diminuindo a demanda por bens industriais de uma forma geral". Esse movimento aparece na redução das horas trabalhadas, do faturamento e da utilização da capacidade instalada, com efeito também sobre o emprego.
Para a CNI, os dados reforçam o quadro de desaquecimento da atividade industrial observado ao longo do ano.
Juro alto e capacidade ociosa
A pesquisa chega a poucos dias da próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. A Selic em patamar contracionista encarece o capital de giro da indústria, alonga o prazo de decisão de investimento e reduz o crédito ao consumidor que compra bens duráveis.
A utilização da capacidade instalada abaixo de 78% indica ociosidade nas fábricas. Enquanto o indicador não sobe, a tendência é de que o setor adie a contratação e a compra de máquinas, o que ajuda a explicar a queda de 0,6% no emprego industrial no acumulado do ano.
A indústria de transformação responde por parte relevante do emprego formal com carteira e por boa parte do que o país exporta em bens manufaturados. Quando o faturamento cai e a ociosidade sobe ao mesmo tempo, o efeito costuma aparecer primeiro na jornada, com corte de horas extras, e só depois no número de vagas.
A pesquisa da CNI é mensal e acompanha um conjunto de indicadores de desempenho do setor, entre eles faturamento, emprego, massa salarial, rendimento médio, horas trabalhadas e utilização da capacidade instalada. Os dados de agosto serão divulgados no mês que vem.
O Copom se reúne nos dias 15 e 16 de setembro para decidir a taxa básica de juros.