Economia

Aneel leiloa oito lotes de transmissão com R$ 8,9 bi em investimentos e deságio de até 57%

Último leilão do ano prevê 1.866 km de novas linhas em sete estados; Celeo, Cymi e Neoenergia levam dois lotes cada

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  1. Quem levou cada lote e por quanto?
  2. O que será construído?
  3. Em quanto tempo as linhas precisam ficar prontas?

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) leiloou nesta sexta-feira, 30, na sede da B3, em São Paulo, oito projetos de transmissão de energia. Foi o último leilão do ano. O Ministério de Minas e Energia (MME) estima R$ 8,9 bilhões em investimentos e mais de 20,3 mil empregos diretos e indiretos, segundo a Agência Brasil.

Os deságios, que medem o quanto a oferta vencedora ficou abaixo do teto de receita definido pelo regulador, chegaram a 57,08% no lote 3, em São Paulo. O lote 1, na Bahia, exigiu 150 lances em viva-voz até sair o vencedor.

Quem levou cada lote e por quanto?

A remuneração que cada empresa receberá é a Receita Anual Permitida (RAP), paga pelos usuários do serviço público de transmissão, conforme a explicação da Agência Brasil. Quanto maior o deságio, menor a RAP contratada.

LoteOndeVencedoraRAP anualDeságio
1BahiaNeoenergiaR$ 59,85 milhões51,21%
2Goiás e BahiaEDPR$ 26,53 milhões53,29%
3São PauloCymiR$ 78,70 milhões57,08%
4Paraná, Mato Grosso do Sul e GoiásCeleoR$ 377,09 milhões50,55%
5ParanáCymiR$ 96,40 milhões46,36%
6Paraná (Santa Terezinha de Itaipu)CoxR$ 37,85 milhões53,46%
7ParaíbaNeoenergiaR$ 68,00 milhões38,55%
8RondôniaCeleoR$ 66,66 milhões48,02%

A Celeo ficou com dois lotes (4 e 8), assim como a Cymi (3 e 5) e a Neoenergia (1 e 7). A Cox levou o 6 e a EDP, o 2.

O que será construído?

O pacote prevê 1.866 quilômetros de novas linhas e seccionamentos, a continuidade de 483 km de linhas existentes e 12.694 megavolt-amperes (MVA) de capacidade de transformação. As obras ficam na Bahia, em Goiás, no Mato Grosso do Sul, na Paraíba, no Paraná, em Rondônia e em São Paulo.

O lote 4, o maior, soma R$ 4,113 bilhões em investimentos previstos, 1.167 km de linhas e 8.225 empregos, segundo o MME. Seis empresas e fundos disputaram a vaga ao lado da vencedora: Cymi, Consórcio Olympus XXI, Axia Energia Norte, Engie, um fundo de investimento da Warehouse e a EDP Transmissão Goiás. Foi o primeiro lote a ser leiloado, e a Celeo ofereceu receita 50,55% abaixo do teto.

Os lotes 5 e 6, no Paraná, somam R$ 1,46 bilhão, 177 km de linhas e 3.336 empregos. Os lotes 1 e 7, na Bahia e na Paraíba, chegam a R$ 1,16 bilhão e 3.132 empregos. O lote 8 prevê R$ 753,2 milhões na Subestação Coletora Porto Velho, para dar estabilidade ao sistema que atende Acre e Rondônia. O lote 2 liga Bahia e Goiás, com R$ 317 milhões e 126 km.

Em quanto tempo as linhas precisam ficar prontas?

Os prazos variam de 42 a 60 meses, contados da assinatura dos contratos de concessão, que duram 30 anos. Desde 2023, os leilões de transmissão mobilizaram R$ 69,64 bilhões em investimentos estimados, ou R$ 77,54 bilhões atualizados pelo IPCA, de acordo com o MME.

O resultado detalhado e as regras de cada lote estão no site da Aneel. Sobre outros pontos da conta de luz, o Resenhando tratou da ação no STF sobre o ICMS na energia e do projeto da tarifa social regionalizada. Os contratos ainda precisam ser assinados para a contagem dos prazos começar.