Economia

Dívida atrelada à Selic chega a 52,74%, o maior nível da série, e custo médio sobe a 12,59%

Tesouro divulga a dívida de agosto: R$ 9,293 trilhões, juros de R$ 88,39 bi incorporados, custo médio em 12,59% e colchão 11,89% menor.

A Dívida Pública Federal encerrou agosto em R$ 9,293 trilhões, alta de 0,04% sobre julho, e a parcela do estoque atrelada à taxa Selic subiu para 52,74%, o maior nível da série histórica. Os dados constam do Relatório Mensal da Dívida, divulgado nesta segunda-feira, 28, pelo Tesouro Nacional.

O estoque quase não se moveu, mas o motivo da estabilidade está no detalhe. O Tesouro resgatou R$ 84,43 bilhões em títulos a mais do que emitiu no mês, movimento que reduziria a dívida. A incorporação de juros, de R$ 88,39 bilhões no mesmo período, anulou esse efeito e ainda deixou saldo positivo. Em outras palavras, o que cresceu a dívida em agosto foi o juro dela própria.

O custo médio acumulado em 12 meses passou de 12,45% ao ano em julho para 12,59% ao ano em agosto. A previsão do Tesouro é que a Dívida Pública Federal termine 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

Gráfico de barras com a participação dos títulos indexados à Selic em julho e agosto de 2026 e o teto da banda do PAF
A participação dos títulos indexados à Selic ficou a 0,26 ponto percentual do teto previsto no Plano Anual de Financiamento.Gráfico: Resenhando, com dados do Tesouro Nacional

Os R$ 88,39 bilhões de juros incorporados em agosto equivalem a cerca de R$ 2,85 bilhões por dia, pela divisão do valor informado no relatório pelos 31 dias do mês. O custo médio de 12,59% ao ano segue abaixo da Selic em vigor, de 13,75% ao ano segundo o Banco Central, porque a média carrega títulos emitidos em outros períodos e papéis prefixados e corrigidos pela inflação, e não apenas os indexados à taxa básica.

Como ficou a composição

A fatia dos papéis corrigidos pela Selic saiu de 51,11% em julho para 52,74% em agosto. O Plano Anual de Financiamento de 2026 prevê participação entre 49% e 53% para esses títulos, e a estimativa foi revista para cima no mês passado. Pelo dado de agosto, o indicador está a 0,26 ponto percentual do teto da própria banda.

Essa composição importa porque títulos indexados à Selic repassam ao Tesouro, de forma quase imediata, qualquer variação da taxa básica de juros. Quanto maior essa parcela, mais o custo da dívida acompanha a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, e menos previsível fica a despesa financeira do ano seguinte.

A dívida interna, a Dívida Pública Mobiliária Federal interna, recuou 0,05% e terminou agosto em R$ 8,944 trilhões. A externa avançou 2,41% e chegou a R$ 348,26 bilhões. As instituições financeiras seguem como os principais detentores dos títulos, com 31,22% do estoque interno.

A participação estrangeira subiu de 9,82% para 9,91%. Em valor, o estoque em poder de investidores não residentes passou de R$ 879,07 bilhões para R$ 886,3 bilhões, um avanço de R$ 7,23 bilhões em um mês.

O que mudou no colchão e no prazo

A reserva de liquidez do Tesouro, conhecida como colchão da dívida, caiu 11,89% em termos nominais em agosto. O volume passou de R$ 1,37 trilhão para R$ 1,208 trilhão, uma redução de cerca de R$ 162 bilhões em 31 dias. O Tesouro informou que o nível atual cobre aproximadamente 7,18 meses dos vencimentos da dívida. A reserva reúne recursos destinados exclusivamente ao pagamento da dívida e valores em caixa vindos da emissão de títulos.

Dois indicadores de perfil melhoraram no mesmo mês. O prazo médio do estoque passou de 4,05 anos para 4,10 anos, e a parcela com vencimento em até 12 meses caiu de 18,91% para 16,39%. Quanto menor essa fatia, menor a pressão de refinanciamento no curto prazo.

O Tesouro Nacional publica o relatório mensalmente e já havia divulgado, no mês anterior, o balanço do Tesouro Direto com R$ 272,3 bilhões em estoque. No mesmo mês de agosto, o órgão registrou o pagamento de R$ 79,95 milhões em garantias honradas por estados e municípios.

O próximo relatório, com os números de setembro, sai em outubro. A íntegra do documento de agosto está na página do Relatório Mensal da Dívida no Tesouro Transparente.

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