ONU chama de "repugnante" plano dos EUA de transmitir ao vivo o fuzilamento de Nidal Hasan
Porta-voz diz que a exibição pode violar a proibição da tortura; execução do autor do massacre de Fort Hood está marcada para 3 de dezembro
Neste texto3 tópicos
A Organização das Nações Unidas classificou como "repugnante", na sexta-feira (9), o plano do governo dos Estados Unidos de transmitir ao vivo a execução de Nidal Hasan, o ex-major do Exército que matou 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. O porta-voz da ONU Stéphane Dujarric disse, na coletiva diária da entidade em Nova York, que a exibição pode configurar violação da proibição contra a tortura. O fuzilamento está marcado para 3 de dezembro.
"Esse tipo de execução pública que temos visto em outros países, seja no Irã ou no Afeganistão... pode constituir uma forma de tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante", afirmou Dujarric. E completou: "Transmitir ao vivo equivale a torná-la pública e pode constituir uma violação da proibição contra a tortura", conforme a Agência Brasil.
O que está marcado para 3 de dezembro
Hasan deve ser executado por pelotão de fuzilamento na mesma base onde abriu fogo contra um centro médico militar. Segundo reportagens americanas, a data consta de memorando do secretário do Exército em exercício, Adam Telle, e o horário previsto é 13h no fuso central dos EUA, numa quinta-feira. A imprensa brasileira registrou que o secretário Pete Hegseth, do Pentágono, explicou que o local, o dia da semana e a hora foram escolhidos de propósito, por coincidirem com os do ataque. O presidente Donald Trump aprovou o método após recomendação de Hegseth.
Será a primeira execução militar dos Estados Unidos em mais de seis décadas. A contagem varia conforme o veículo: a Agência Brasil fala em primeiro fuzilamento nas Forças Armadas desde 1945, enquanto publicações americanas, como o Task & Purpose, apontam 1961 como a última execução conduzida pelos militares.
Quem defende e quem recua da transmissão
Hegseth defendeu, em entrevista ao canal Real America's Voice, que o público tenha acesso ao procedimento, como demonstração das consequências de crimes desse tipo. Uma fonte do Departamento de Defesa disse à agência France-Presse, sob anonimato, que o fuzilamento seria transmitido ao vivo e que os detalhes viriam em breve. Até a publicação desta matéria, o Pentágono não havia informado qual plataforma exibiria as imagens.
No campo republicano, a ideia não é unânime. O vice-presidente JD Vance disse não saber se a transmissão vai acontecer e que, se acontecer, não pretende assistir. O deputado republicano Austin Scott declarou apoiar a pena de morte, mas criticou a exibição ao vivo. Trump, perguntado sobre o assunto, respondeu que uma decisão estava sendo tomada e que Hasan morrerá por fuzilamento.
O caso e o que ainda pode adiar a execução
Hasan, que era psiquiatra do Exército, foi condenado à morte em 2013 por um tribunal militar, por 13 homicídios premeditados e 32 tentativas de homicídio premeditado. Está preso em Fort Leavenworth, no Kansas. O condenado tem direito de recorrer à Justiça federal civil, e esses recursos podem empurrar a data por tempo indeterminado, segundo reportagens americanas.
A discussão sobre a transmissão chega na semana em que o governo Trump também entrou em choque com outro organismo internacional: os EUA impuseram sanções ao Tribunal Penal Internacional horas depois de o Nobel da Paz premiar uma ex-juíza da corte. O próximo ponto a observar é se o Pentágono divulga a plataforma e as regras da transmissão antes de 3 de dezembro, e se algum recurso de Hasan chega à Justiça civil.