Rússia liberta americano Stephen Hubbard em reunião de Putin com Witkoff
Soltura do professor aposentado foi anunciada em São Petersburgo; primeiro navio com diesel russo para os EUA parte na quinta
A Rússia libertou nesta quarta-feira, 21, o americano Stephen Hubbard, professor de inglês aposentado de 75 anos, durante a reunião em São Petersburgo entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff. O anúncio foi feito pelo próprio Putin, segundo a cobertura da AFP publicada pelo Jornal de Brasília.
O presidente americano, Donald Trump (Partido Republicano), confirmou que Hubbard está "a caminho de casa". Trump afirmou que a Rússia não exigiu nada em troca e ligou a soltura à suspensão recente das sanções contra Moscou. "Se sanções tivessem sido impostas, sem dúvida essas negociações teriam sido interrompidas completa e totalmente", disse.
Hubbard foi condenado em outubro de 2024, em julgamento a portas fechadas, a quase sete anos de prisão por "atividades mercenárias" a favor da Ucrânia. Ele nega a acusação. G1, Valor Econômico e CNN Brasil também registraram a libertação nesta quarta.
O que Witkoff levou a Putin
A reunião começou pouco depois das 9h GMT, 6h em Brasília. Diante das câmeras da TV estatal russa, Witkoff disse ter levado "ideias" para um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. "Trouxemos documentos. São ideias para uma espécie de acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. O senhor poderá ler tudo isso com calma", afirmou a Putin.
O enviado havia se encontrado na terça-feira, em Oslo, com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, e classificou a conversa como "produtiva". Depois da libertação, chamou Putin de "humanista". As reportagens consultadas não trazem o conteúdo dos documentos entregues.
Diesel russo e sanções
Na mesma reunião, Putin informou que o primeiro navio-tanque com 40 mil toneladas de diesel russo para os Estados Unidos parte em "dois ou três dias". O vice-primeiro-ministro, Alexander Novak, citou a quinta-feira, 22, como data de saída.
O fornecimento vem de um acordo anunciado por Trump no início de outubro, que levanta sanções à Rússia e foi duramente criticado por Kiev e por seus aliados. Para a AFP, a medida é uma tentativa de reduzir o preço dos combustíveis para o consumidor americano antes das eleições legislativas de 3 de novembro, que se desenham difíceis para Trump e os republicanos. No dia 18, o Resenhando noticiou a suspensão por 60 dias da lei Graham de sanções à Rússia.
A Ucrânia avalia que os Estados Unidos passaram a apoiar a Rússia, e a reunião desta quarta ocorre nesse clima. Antes de Hubbard, Moscou já havia libertado o ex-fuzileiro Robert Gilman, em agosto. A partida do primeiro petroleiro, prevista para quinta, é o próximo marco concreto do acordo do diesel.