Eurasia reduz de 80% para 75% a chance de Flávio vencer Lula no segundo turno
Eurasia Group baixa de 80% para 75% a chance de Flávio Bolsonaro e vê virada de Lula como improvável; veja o motivo da queda e os 4 caminhos do petista.
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A consultoria de risco político Eurasia Group estima em 75% a chance de o senador Flávio Bolsonaro (PL) vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O número consta de relatório divulgado entre sexta-feira, 16, e sábado, 17, e é menor que o da semana anterior, quando a Eurasia apontava 80%.
A probabilidade não é intenção de voto. É a avaliação da consultoria sobre as chances de cada lado, calculada sobre a média das pesquisas e com ajustes próprios. Segundo a Exame, que detalhou o relatório, e a Revista Oeste, o documento chama de "improvável" uma virada petista.
Por que a chance caiu de 80% para 75%?
A causa é a distância nas pesquisas. Na primeira semana do segundo turno, a vantagem de Flávio chegava a quase cinco pontos percentuais. Na segunda, a média compilada pela Eurasia ficou em 2,6 pontos. A consultoria diz que os levantamentos convergem para algo perto de três pontos, o que repete a projeção que ela fazia no início do segundo turno.
Parte da alta anterior, de 70% para 80%, vem de um efeito de embalo, na leitura da consultoria: o candidato que termina o primeiro turno na frente costuma ganhar fôlego por alguns dias. No primeiro turno, Flávio ficou 1,9 ponto à frente de Lula.
Esses números de intenção de voto são da consultoria e vêm de pesquisas de institutos diferentes. O Resenhando não os apresenta como pesquisa própria nem como levantamento registrado por esta redação no TSE.

O que a Eurasia diz sobre abstenção e viés das pesquisas?
Segundo o relatório, a maioria dos institutos não ajusta por completo o efeito da abstenção, o que tende a subestimar o voto conservador. A conta da consultoria soma cerca de um ponto percentual à vantagem de Flávio, o que levaria a diferença para perto de três pontos mesmo com as pesquisas mostrando 2,6.
Para sustentar o ponto, a consultoria recorre a 2022: naquele ano, as pesquisas superestimaram o desempenho da esquerda em 4,2 pontos no primeiro turno e em 1,7 ponto no segundo. Ele também observa que a abstenção raramente cai de um turno para o outro.
O que Lula precisaria fazer para virar?
Pelas contas do relatório, Lula teria de conquistar mais de 60% dos eleitores que votaram em candidatos eliminados no primeiro turno ou atrair quem já escolheu Flávio. A consultoria considera as duas hipóteses pouco prováveis. Mesmo uma abstenção maior entre apoiadores do senador não bastaria, sozinha, para inverter o resultado.
Quatro frentes poderiam estreitar a diferença, segundo o documento. Os debates são citados como a maior oportunidade do presidente, mas dependem de um desempenho fraco do adversário. A campanha petista também ataca o senador, associando-o a milícias do Rio e explorando o temor de perda de benefícios sociais; para a consultoria, isso ainda não elevou de forma relevante a rejeição dele.
Há ainda as medidas do governo, como a gratuidade no transporte público, o auxílio a pequenos empresários e a redução da jornada de trabalho, embora as pesquisas qualitativas indiquem que o eleitor percebe os limites delas. Na comunicação, Lula não respondeu, na avaliação do relatório, à percepção de estagnação no primeiro turno em segurança pública e custo de vida.
Segundo a consultoria, segurança pública e corrupção são os dois assuntos em que o presidente aparece em desvantagem. A Eurasia afirma que pode elevar de novo a chance de Flávio se a vantagem permanecer estável até o fim da próxima semana.
O que acontece agora na campanha?
O primeiro confronto direto entre os dois é o debate da Band, marcado para este domingo, 18, que o relatório trata como a principal oportunidade de Lula. No mesmo dia, o candidato do PL levou apoiadores à Paulista, em ato cuja contagem independente apontou 71,9 mil pessoas.
A campanha de Lula ainda não comentou a estimativa publicamente, segundo as matérias consultadas até a publicação deste texto. A próxima atualização da Eurasia depende da evolução das pesquisas registradas no TSE na semana que antecede a votação de 25 de outubro.