Agronegócio

Emissões do agro ficam estáveis em 2025 e o total do Brasil cai 6%, aponta o SEEG

SEEG: agropecuária emitiu 626 MtCO2e em 2025 (-0,1%); total bruto caiu 6% com o desmatamento. Veja os números por setor.

A agropecuária emitiu 626 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2025, praticamente o mesmo de 2024 (queda de 0,1%), enquanto o total bruto do Brasil recuou 6%, para 2,06 bilhões de toneladas. Os números são da 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada nesta quarta-feira, 21, pelo Observatório do Clima.

A queda do total veio quase toda do desmatamento. A mudança de uso da terra respondeu por 814 milhões de toneladas brutas, 15% a menos que as 957 milhões de 2024, segundo a Agência Brasil, que acompanhou o lançamento. É o menor volume bruto do país desde 2018.

Quanto cada setor emitiu

Os demais setores mal se mexeram, e é aí que o agro entra na conta:

  • Mudança de uso da terra: 814 MtCO2e, 39% do total bruto
  • Agropecuária (emissões diretas): 626 MtCO2e, 30%
  • Energia: 427 MtCO2e, alta de 1,2%, 21%
  • Resíduos: 96 MtCO2e, alta de 3,6%, a maior do ano, 5%
  • Processos industriais: 94 MtCO2e, alta de 0,2%, 5%

Em valores absolutos, a energia passou de 422 para 427 milhões de toneladas entre 2024 e 2025, os resíduos foram de 92 para 96 milhões, e os processos industriais ficaram em 94 milhões nos dois anos.

Há uma ressalva sobre a agropecuária. Quando as emissões diretas do setor se somam às indiretas, a atividade aparece como a maior emissora nacional, segundo a Agência Brasil. A nota não detalha como as duas parcelas se dividem; o recorte completo está no relatório do SEEG.

A conta líquida e a meta de 2025

Descontada a remoção de carbono por vegetação secundária e áreas protegidas, o Brasil emitiu 1,41 bilhão de toneladas líquidas em 2025, 9% menos que em 2024 e o menor valor desde 2012. A meta da primeira NDC, de 1,32 bilhão de toneladas para 2025, ficou 85 milhões de toneladas distante.

O coordenador do SEEG, David Tsai, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), disse que em quatro anos o país cortou um quarto das emissões brutas. Ele também alertou que, sem queda nos outros setores, será difícil cumprir a NDC de 2030, que fixa uma faixa de 850 milhões a 1,05 bilhão de toneladas líquidas.

O tema já aparece na eleição: o Resenhando comparou os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro para clima e desmatamento. No campo, Embrapa e Ministério da Agricultura já listaram 163 medidas contra o risco climático na safra 2026/27.

Os dados por setor, estado e município ficam na plataforma do SEEG, que lançou a edição desta quarta-feira.