Rússia liberta ex-fuzileiro naval dos EUA preso desde 2022
Robert Gilman cumpria pena de dez anos; Trump afirma que não houve troca de prisioneiros
A Rússia libertou o ex-fuzileiro naval dos Estados Unidos Robert Gilman, detido no país desde 2022. A soltura foi anunciada nesta terça-feira, 11 de agosto, pelo presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou não ter havido troca de prisioneiros na negociação com o presidente russo, Vladimir Putin.
Gilman foi detido em 2022 depois de se envolver em uma briga na estação ferroviária de Voronej, cidade a cerca de 500 quilômetros de Moscou. A defesa nega os fatos atribuídos a ele. A condenação inicial foi de quatro anos e meio de prisão, pena depois ampliada para dez anos com novas sentenças por mau comportamento e agressões contra funcionários do serviço penitenciário russo.
Segundo Trump, a libertação foi tratada em bases humanitárias e a Rússia não apresentou pedido ou exigência em contrapartida. O secretário de Estado, Marco Rubio, informou que o ex-militar estava a caminho dos Estados Unidos, onde receberia atendimento médico. A família aguardava a chegada dele a um hospital militar no Texas. Médicos acompanharam o voo de retorno, e um funcionário do governo americano afirmou que Gilman aparentava estar em boas condições.
Um caso fora do padrão das negociações anteriores
A ausência de troca distingue este episódio dos casos americanos mais conhecidos na Rússia dos últimos anos, em que a soltura de cidadãos dos Estados Unidos veio acompanhada da devolução de russos presos no Ocidente. Foi assim com a jogadora de basquete Brittney Griner, libertada em dezembro de 2022 em troca do traficante de armas russo Viktor Bout, e com o ex-fuzileiro Paul Whelan e o jornalista Evan Gershkovich, soltos em agosto de 2024 na maior operação de troca de prisioneiros entre Ocidente e Rússia desde a Guerra Fria. O formato importa porque define o preço que Washington paga por cada libertação e o incentivo que fica na mesa para detenções futuras.
A soltura ocorre enquanto Trump e Putin mantêm contato direto sobre a guerra na Ucrânia. Casos individuais como o de Gilman costumam funcionar como termômetro dessas conversas: são gestos de baixo custo político interno para o Kremlin e de alto valor simbólico para a Casa Branca, que os apresenta como resultado concreto do canal aberto entre os dois governos.
Gilman deixou o serviço militar antes da detenção e não estava em missão oficial na Rússia quando foi preso. O anúncio da soltura partiu do lado americano, e os termos do acordo não foram detalhados publicamente.
O alerta que segue de pé
O Departamento de Estado mantém a Rússia na categoria mais grave de sua escala de recomendações de viagem, com orientação para que cidadãos americanos não entrem no país. Entre as razões listadas está o risco de detenção arbitrária de estrangeiros, além da guerra na Ucrânia e da limitação da assistência consular americana em território russo.
A distinção entre preso comum e detido de forma arbitrária tem efeito prático na política externa dos Estados Unidos. Quando o governo classifica um cidadão como detido injustamente, o caso sai do circuito consular de rotina e passa a ser conduzido pelo escritório do enviado presidencial para assuntos de reféns, com autorização para negociar diretamente com o outro governo. É esse mecanismo que produz as trocas.
Gilman foi condenado em processo criminal comum, por episódio sem ligação com espionagem ou atividade política, o que ajuda a explicar por que a soltura dele saiu sem contrapartida.
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