Trump diz que eleição no Brasil “pareceu fraudada”, sem provas; Alckmin rebate
Presidente dos EUA questionou a prorrogação da votação e disse que gosta de Lula; vice-presidente chamou a opinião de “equivocada”
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira, 26, que a eleição brasileira “pareceu mais uma eleição fraudada”. Ele não apresentou prova nem indício de irregularidade, e afirmou que gosta do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) respondeu que a opinião é “totalmente equivocada”, segundo a Agência Brasil.
Trump falou com jornalistas nos Estados Unidos. “Eu não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada. Para mim, pareceu muito ruim”, afirmou, conforme o g1. A crítica se apoiou na prorrogação do horário de votação, que ele chamou de “muito estranha”, o mesmo ponto levantado pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O que Trump disse sobre Lula
Perguntado se faria algo a respeito do resultado, o presidente americano respondeu que não governa o Brasil. “Eu governo os Estados Unidos. Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha”, disse. Trump também afirmou que não escolheu lado na disputa brasileira.
A declaração vem depois de uma carta de parlamentares americanos. A Agência Brasil lembra que, em 24 de setembro, 31 parlamentares do Partido Democrata enviaram carta à Casa Branca acusando o governo Trump de um “esforço coordenado” para enfraquecer a aliança com o Brasil antes da eleição. Entre as medidas citadas na carta estão o tarifaço sobre produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
A resposta de Alckmin e de Celso Amorim
Em entrevista à TV Vanguarda, do interior paulista, Alckmin afirmou: “Primeiro, não se interfere na política de outro país. Isso é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial para dizer isso. O Brasil é um exemplo para o mundo, de urna eletrônica, segurança jurídica”. O vice acrescentou que as negociações com os Estados Unidos continuam depois da eleição e citou os acordos do Mercosul com Singapura e com a União Europeia, além da negociação com o Canadá.
O assessor internacional de Lula, o ex-chanceler Celso Amorim, classificou a declaração de Trump como “contraditória” e disse ao g1 que o americano “está mal informado”. Amorim afirmou que “quem tentou fraudar a eleição foi a Meta”, em referência à empresa dona de Instagram, Facebook e WhatsApp. A campanha de Lula acionou a Justiça Eleitoral contra a Meta, acusando a empresa de barrar conteúdos do petista, e a empresa nega interferência, segundo o g1.
O que diz o TSE sobre a prorrogação
O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin estendeu a votação de domingo até as 19h nas seções ainda abertas, depois de pedidos das duas campanhas. A de Lula citou falhas no transporte público em ao menos nove estados; a de Flávio, alagamentos e chuvas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa que cerca de 35 mil eleitores votaram depois das 17h. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma vantagem de 4,4 milhões de votos.
O Resenhando já tratou, em outro texto, da prorrogação decidida por Zanin.