Cuba marca os 100 anos de Fidel Castro em meio a apagões
Regime organizou seminário internacional sobre o legado do ex-ditador enquanto projeção aponta retração de 6,5% na economia em 2026
O governo de Cuba marcou nesta quinta-feira, 13, os 100 anos do nascimento de Fidel Castro com um seminário internacional sobre o legado do ex-ditador, em meio a apagões, retração econômica e pressão do governo dos Estados Unidos.
As comemorações do centenário começaram em agosto de 2025 e se estenderam por um ano, com um calendário oficial de atos. O encontro desta semana reuniu convidados estrangeiros para discutir o que o regime chama de legado de Fidel e o futuro da ilha.
Fidel Castro esteve no comando de Cuba de 1959 até 2008, quando deixou formalmente a presidência, e morreu em novembro de 2016. O poder está hoje com Miguel Díaz-Canel, presidente do país e primeiro-secretário do Partido Comunista.
A economia por trás da data
O centenário chega em um momento de deterioração econômica. A previsão para a economia cubana em 2026 é de queda de 6,5%. No início de agosto, o país registrou dois apagões nacionais em menos de 24 horas.
A energia é o gargalo mais visível. Segundo a União Petrolífera de Cuba (Cupet), a produção nacional cobre apenas um terço da necessidade do país, o que deixa o sistema elétrico dependente de importação de petróleo e derivados em um cenário de escassez de divisas.
Os pontos que definem o quadro atual:
- Projeção econômica para 2026: retração de 6,5%
- Produção de petróleo: um terço do consumo nacional, segundo a Cupet
- Apagões: dois colapsos nacionais em menos de 24 horas no início de agosto
- Embargo americano: em vigor desde 1962, endurecido durante o governo Trump
O embargo comercial imposto pelos Estados Unidos completa mais de seis décadas e é apontado pelo governo cubano como causa central das dificuldades. Críticos do regime atribuem a crise ao modelo econômico centralizado, que restringe a iniciativa privada e o acesso a moeda estrangeira.
A pressão de Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu a possibilidade de ação militar contra Cuba, em declaração que elevou a tensão entre os dois países. O governo americano também manteve o endurecimento das restrições econômicas adotadas em seus mandatos.
Especialistas da Organização das Nações Unidas condenaram a pressão americana e pediram medidas para evitar o que descreveram como uma "Gaza silenciosa em Cuba", em referência ao agravamento da situação humanitária na ilha.
O embargo é alvo de resolução anual na Assembleia Geral da ONU, que há mais de três décadas aprova, por ampla maioria, texto pedindo o fim das sanções americanas. As votações não têm efeito vinculante, e a política dos Estados Unidos permanece inalterada em seus pontos centrais.
Na ilha, o efeito dos cortes de energia atinge a rotina de cerca de 11 milhões de habitantes: refrigeração de alimentos, bombeamento de água, funcionamento de hospitais e de escolas dependem de geradores quando a rede cai. Os dois apagões nacionais do início de agosto expuseram o grau de deterioração do sistema elétrico cubano.
O calendário oficial do centenário se encerra com o seminário desta semana. Não há indicação, nas informações divulgadas pelo governo cubano, de mudança na política econômica em resposta à crise de abastecimento e de energia.
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