Democratas conquistam Câmara e Senado dos EUA e impõem derrota a Trump nas eleições de meio de mandato
Apuração parcial dá 228 cadeiras na Câmara ao partido e ao menos 54 no Senado; Trump diz aceitar o resultado
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Os democratas assumiram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, 3, e impuseram uma derrota ao presidente Donald Trump (Partido Republicano) a dois anos da eleição que o levou ao segundo mandato. A apuração segue em andamento, segundo a agência Reuters, que assina o relato publicado pela Agência Brasil.
Na contagem parcial reproduzida pelo Jornal de Brasília a partir da Folhapress, os democratas somavam 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos. No Senado, o partido já tinha assegurado ao menos 54 das 100 vagas.
A Reuters atribui a virada ao desgaste com a guerra contra o Irã, ao custo de vida e à avaliação negativa do modo como Trump governa. O resultado atingiu estados que o presidente tem como base.
Onde os republicanos perderam
O Kansas elegeu o primeiro senador democrata desde a Grande Depressão, há quase um século. Na Carolina do Sul, onde Trump venceu por quase 18 pontos em 2024, o candidato ao Senado que ele escolheu foi derrotado.
No Texas, maior estado republicano do país, os democratas quebraram uma sequência de derrotas de décadas. Elegeram uma cadeira no Senado, com James Talarico, e tiraram do cargo o governador Greg Abbott, no terceiro mandato. Segundo o Metrópoles, Talarico venceu o republicano Ken Paxton.
O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que há "uma reformulação geracional do mapa do Senado". "Os norte-americanos votaram pela mudança, e agora os democratas devem cumprir o prometido", afirmou.
O que muda em Washington a partir de janeiro
Os parlamentares eleitos tomam posse em janeiro. Segundo a Reuters, os democratas devem usar o novo poder para investigar o governo Trump, a família do presidente e seus aliados, e para negociar concessões em projetos de lei relevantes. Com maioria no Senado, o partido pode barrar indicados do presidente, inclusive a uma vaga na Suprema Corte, se ela surgir.
Trump não pode disputar um terceiro mandato. Segundo a Reuters, o novo equilíbrio de forças pode acelerar a condição de presidente em fim de mandato, com a atenção voltada à corrida de 2028 e possíveis sucessores disputando influência no partido.
Havia no Partido Democrata o temor de que Trump tentasse contestar o resultado, como fez em 2020. Não foi o que ocorreu: em entrevista à Fox News, ele parabenizou os democratas. Disse que trabalhará com eles em temas como a imigração, mas ameaçou vetar qualquer projeto "insano" aprovado pela oposição. Ao New York Times, afirmou: "Provavelmente chegaremos a um entendimento", conforme o Jornal de Brasília.
Musk, China e os desdobramentos do dia
Maior doador individual do ciclo, Elon Musk destinou cerca de US$ 500 milhões (R$ 2 bilhões) a grupos e campanhas, segundo o Metrópoles. A maior parcela, US$ 158 milhões, foi para o Senate Leadership Fund, comitê que apoia candidatos republicanos ao Senado. Após o resultado, ele escreveu na rede X: "Acho que meus lasers espaciais de interferência eleitoral não funcionaram desta vez".
A China disse nesta quarta-feira, 4, que está pronta para seguir trabalhando com os Estados Unidos. "As eleições de meio de mandato nos EUA são um assunto interno", afirmou a porta-voz da chancelaria, Mao Ning.
Na véspera da votação, o Resenhando noticiou a disputa pela Câmara, pelo Senado e por governos estaduais e a promessa de Trump de pagar US$ 5 mil por adulto se os republicanos vencessem. Os números finais de cadeiras dependem da conclusão da apuração, que seguia em andamento na manhã desta quarta.