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Machado apoia plano dos EUA para declarar vaga a Presidência da Venezuela

Machado apoia o plano americano: renovar TSJ e CNE, Delcy declarar a Presidência vacante e convocar eleições em seis meses, em 2027.

A líder da oposição venezuelana e Nobel da Paz María Corina Machado apoiou, nesta quinta-feira, 5, a proposta dos Estados Unidos de declarar vacante a Presidência da Venezuela e convocar eleições para 2027. A posição veio em declaração dirigida à Cúpula Ibero-Americana, em Madri, segundo a agência AFP.

O plano parte do Departamento de Estado americano. Pelo roteiro, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) é renovado antes do fim de 2026 e, logo depois, nasce um novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Com as duas instituições refeitas, a presidente interina, Delcy Rodríguez, declara a vacância do cargo e convoca eleições em seis meses.

"Diante da prolongada situação de fato que atravessa nosso país, apoiamos este plano como um caminho razoável para avançar rumo à plena recuperação da ordem constitucional na Venezuela", afirmou Machado, conforme a AFP.

O que Washington exige antes da eleição

A condição foi explicitada em 26 de outubro, por um alto funcionário do Departamento de Estado que não teve o nome divulgado. Segundo comunicado reproduzido pela Euronews, ele disse que não é possível realizar eleições livres e justas, aceitas por todas as partes, enquanto a infraestrutura atual estiver em vigor. "Podem abrir centros de votação e organizar outros escrutínios já no próximo mês, mas não serão eleições justas nem livres", afirmou.

Na mesma semana, as partes que negociam a transição acertaram a criação de um comitê para propor 32 novos magistrados ao TSJ, com meta de deixar a corte renovada e em funcionamento antes de meados de dezembro. A reforma do CNE e a troca de seus integrantes por especialistas independentes começaram a ser discutidas em paralelo, de acordo com a Euronews.

O funcionário americano também listou garantias que considera necessárias: partidos funcionando livremente, candidatos circulando pelo país sem medo de represália e acesso a meios de comunicação e redes sociais na campanha.

A resposta de Caracas

Delcy Rodríguez governa de forma interina sob pressão de Washington desde a captura de Nicolás Maduro, em operação americana em 3 de janeiro. Ela afirmou que as eleições seguirão as disposições constitucionais, com uma autoridade eleitoral renovada, mas não citou data. Na Assembleia Geral da ONU, em setembro, já tinha dito que o país terá eleições e que cabe ao povo venezuelano definir o "momento adequado". A Venezuela foi representada em Madri pelo chanceler Oliver Blanco.

Machado voltou à Venezuela em outubro, depois de quase um ano no exílio, para conduzir a agenda de transição e pressionar por eleições em 2027. Segundo a Euronews, Delcy Rodríguez comentou que a opositora poderia ter dispensado o "show" do retorno e que o diálogo político exige experiência. Na videoconferência desta quinta, Machado ouviu do presidente do Partido Popular espanhol, Alberto Núñez Feijóo, apoio a eleições em breve na Venezuela.

Maduro segue preso em Nova York, à espera de julgamento por acusações que incluem narcoterrorismo. O Resenhando noticiou a ida dele aos Estados Unidos e, em agosto, o pedido de senadores americanos por eleições na Venezuela. Nem o governo interino nem o Departamento de Estado haviam fixado data para a declaração de vacância até a publicação desta matéria.