Senadores dos EUA cobram eleições na Venezuela em resolução bipartidária
Texto liderado por Ted Cruz e Jeanne Shaheen pede libertação de presos políticos sete meses após a intervenção que retirou Maduro do poder
Um grupo de sete senadores dos Estados Unidos apresentou no dia 4 de agosto uma resolução bipartidária que cobra a realização de eleições livres na Venezuela e a libertação de todos os presos políticos do país, sete meses depois da intervenção militar americana que retirou Nicolás Maduro do poder.
O texto é liderado pelo senador republicano Ted Cruz, do Texas, e pela senadora democrata Jeanne Shaheen, de New Hampshire, que ocupa a vaga de principal representante da minoria no Comitê de Relações Exteriores do Senado. Assinam também Tim Kaine (democrata, Virgínia), Rick Scott (republicano, Flórida), Dick Durbin (democrata, Illinois), Adam Schiff (democrata, Califórnia) e Jacky Rosen (democrata, Nevada).
A resolução reafirma o apoio dos Estados Unidos a eleições na Venezuela, pede a libertação dos presos políticos e estabelece que qualquer pessoa responsável por atentar contra quem busque cargo público deve ser punida, incluindo integrantes do alto escalão do governo venezuelano.
O povo da Venezuela merece eleições livres, justas e transparentes, e é vital para os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos que essas eleições ocorram com rapidez.
A frase é de Ted Cruz, no comunicado publicado pelo próprio gabinete do senador e reproduzido pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado americano. Shaheen afirmou que as autoridades em Caracas precisam soltar todos os presos políticos e permitir que atores políticos, entre eles María Corina Machado, voltem em segurança ao país e participem da vida política.
Quem governa a Venezuela hoje
Delcy Rodríguez, que era vice-presidente de Maduro, assumiu como presidente interina em 5 de janeiro de 2026, depois que os Estados Unidos retiraram Maduro do poder. É esse governo que os senadores pressionam a marcar data para o pleito.
A iniciativa aparece em um momento de insatisfação no Congresso americano com o ritmo da transição. Críticos avaliam que a Casa Branca não conseguiu converter a intervenção em mudança concreta, e a resolução funciona como recado do Legislativo, com assinaturas dos dois partidos, sobre o que se espera do processo.
Em julho, os senadores republicanos Jim Risch, de Idaho, e John Curtis, de Utah, já haviam manifestado apoio às conversas entre um setor da oposição e o governo venezuelano. Na ocasião, defenderam que todas as partes negociassem de boa-fé e se comprometessem com um processo transparente, com critérios claros que levassem a eleições livres e justas.
O que a resolução muda na prática
Uma resolução do Senado não tem força de lei nem obriga o Executivo a agir. Ela registra a posição da Casa e serve de base política para medidas posteriores, entre elas sanções individuais e condicionamento de ajuda externa. Para produzir efeito, precisa ser aprovada em plenário, o que ainda não ocorreu.
O caminho passa pelo Comitê de Relações Exteriores, colegiado que examina tratados, indicações de embaixadores e a política externa americana antes de o texto ir ao plenário. Shaheen é a democrata mais graduada do comitê, e Cruz integra o mesmo colegiado. A tramitação depende da agenda do presidente da comissão e não tem prazo definido.
O peso do documento está na composição das assinaturas. Cruz e Shaheen ocupam lados opostos do espectro político americano e dividem a liderança do texto, o que reduz a leitura de que a cobrança por eleições seja pauta de um só partido.
As fontes consultadas não registram manifestação pública do Departamento de Estado nem do governo venezuelano sobre o documento. Também não há calendário eleitoral anunciado em Caracas.
Em janeiro, o Resenhando registrou a captura de Maduro em operação americana, ponto de partida do arranjo político que os senadores agora cobram que avance para as urnas.