Terremoto de magnitude 7,7 deixa ao menos 47 mortos na Indonésia
Epicentro foi na ilha de Flores; alerta de tsunami foi cancelado cerca de três horas após o tremor
Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu a costa leste da Indonésia na madrugada deste sábado, 15 de agosto, e deixou pelo menos 47 mortos, segundo balanço da Agência Nacional de Mitigação de Desastres do país (BNPB) divulgado às 11h52 (horário de Brasília). O tremor teve epicentro na ilha de Flores, na regência de Sikka, a 15 quilômetros de profundidade, e foi registrado às 4h58 no horário local.
Além dos mortos, as autoridades confirmaram seis feridos em Maumere, principal cidade da região atingida, e duas pessoas presas sob escombros no momento da apuração. O número de vítimas é preliminar e tende a mudar conforme as equipes de resgate alcançam áreas com estradas bloqueadas.
A agência geofísica indonésia (BMKG) emitiu alerta de tsunami logo após o abalo. Foram registradas ondas de menos de um metro, e o alerta foi cancelado cerca de três horas depois. O centro australiano de alerta de tsunamis também acompanhou a ocorrência e não identificou risco para outras costas do Oceano Índico.
"O terremoto foi enorme, o tremor foi muito forte", disse Nona, moradora de 51 anos, à agência de notícias local. Relatos de moradores citam queda de energia e saída de famílias para áreas altas durante a vigência do alerta.
Por que a Indonésia concentra tremores
O arquipélago fica sobre o Anel de Fogo do Pacífico, faixa em que se encontram as placas tectônicas Indo-Australiana, Eurasiática e do Pacífico. É a região sismicamente mais ativa do planeta e responde pela maior parte dos terremotos de grande magnitude registrados a cada ano. O país tem histórico de desastres de alto impacto, entre eles o tsunami de 2004, no Oceano Índico, que matou mais de 220 mil pessoas em uma dezena de países.
Terremotos de profundidade rasa, como o deste sábado, costumam causar mais destruição na superfície do que abalos de mesma magnitude ocorridos a dezenas de quilômetros de profundidade, porque a energia se dissipa menos até chegar ao solo. A construção sem reforço estrutural em áreas de encosta amplia o número de vítimas.
A Indonésia acumula episódios de grande letalidade em intervalos curtos. Em 2018, um terremoto seguido de tsunami atingiu a cidade de Palu, na ilha de Sulawesi, e matou milhares de pessoas, boa parte delas em razão da liquefação do solo, fenômeno em que o terreno saturado de água perde firmeza e engole construções. No mesmo ano, a ilha de Lombok registrou uma sequência de tremores que deixou centenas de mortos e desabrigou dezenas de milhares.
O cancelamento do alerta de tsunami não encerra o risco. Abalos de magnitude superior a 7 costumam ser seguidos de réplicas por dias, e são elas que derrubam estruturas já comprometidas pelo primeiro tremor, muitas vezes quando moradores voltaram para casa. As autoridades indonésias pediram que a população das áreas atingidas evite entrar em edificações com rachaduras visíveis.
Não há informação oficial sobre brasileiros afetados. O Itamaraty mantém embaixada em Jacarta e consulados honorários no país; em ocorrências desse tipo, a orientação padrão é que familiares de brasileiros na região procurem o posto consular mais próximo.
As operações de busca seguiam neste sábado com apoio de equipes militares. A BNPB informou que a prioridade é o restabelecimento de acesso às comunidades isoladas e a montagem de abrigos temporários. Leia também: o balanço do terremoto na Colômbia.