Terremoto de 7,4 na Colômbia deixa ao menos 132 mortos e 550 feridos
Governo de Abelardo de la Espriella declarou emergência; epicentro foi em San José del Palmar, no departamento de Chocó
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o departamento de Chocó, no oeste da Colômbia, na manhã desta segunda-feira, 10, e deixou pelo menos 132 mortos e mais de 550 feridos, segundo o balanço divulgado pelas autoridades colombianas no fim do dia. O epicentro foi localizado perto de San José del Palmar, e o tremor ocorreu às 7h34 no horário local.
O presidente Abelardo de la Espriella declarou emergência e anunciou que acompanharia pessoalmente os trabalhos de resgate, com a instalação de um centro de operações em San José del Palmar. De la Espriella tomou posse em 7 de agosto, em Cali, três dias antes do tremor.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o hipocentro a 110,3 quilômetros de profundidade. O Serviço Geológico Colombiano apontou 96 quilômetros. Terremotos profundos como esse tendem a ser sentidos em área maior, o que explica os relatos de tremor em Bogotá e em cidades do Equador.
Os maiores estragos foram registrados fora do epicentro. Em Pereira, capital de Risaralda, parte do terminal do Aeroporto Internacional Matecaña desabou. Em Cali, ao menos 19 edifícios vieram abaixo. Em Manizales, uma das torres da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Rosário caiu sobre a nave da igreja. Buenaventura também aparece entre as cidades atingidas.
O que dizem os números
O balanço de vítimas segue em revisão. Os dados divulgados na segunda-feira apontavam 132 mortes confirmadas e mais de 550 feridos, com registro de pessoas desaparecidas nas áreas mais próximas do epicentro. Levantamentos de imprensa publicados na sequência já traziam números superiores, o que é comum nas primeiras 48 horas de um desastre dessa escala, quando as equipes chegam a povoados isolados.
Mais de 1,5 mil imóveis foram danificados, de acordo com o levantamento preliminar. Chocó tem estradas precárias e acesso limitado a boa parte dos municípios, fator que retarda a chegada do socorro às localidades próximas do epicentro.
Buenaventura, também na lista de cidades atingidas, concentra o principal porto colombiano no Pacífico e responde por parcela relevante do comércio exterior do país. Qualquer interrupção prolongada na operação portuária ou nas rodovias que ligam o porto ao interior tem efeito direto sobre importação e exportação, e esse é um dos pontos que o governo colombiano precisa dimensionar nos próximos dias.
Pereira e Manizales, as duas cidades com danos estruturais confirmados fora do epicentro, ficam no eixo cafeeiro, região que reúne indústria, universidades e o aeroporto que atende o centro-oeste colombiano. O desabamento parcial do terminal do Matecaña retira da malha aérea um ponto de apoio que seria usado justamente para receber ajuda.
A resposta internacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou solidariedade em rede social e afirmou que o Brasil permanece à disposição da Colômbia para prestar o apoio necessário. Em nota, o Itamaraty informou que nenhum brasileiro havia sido identificado entre as vítimas até a tarde de segunda-feira e disse que colaborará com as autoridades colombianas na medida da capacidade brasileira.
A ajuda humanitária internacional em casos assim depende de solicitação formal do país atingido. Até o fechamento desta reportagem, o governo colombiano não havia divulgado a lista de pedidos de assistência encaminhados a outros países nem o balanço de equipes estrangeiras já autorizadas a atuar em território nacional.
A Colômbia fica sobre a zona de subducção da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana, uma das regiões sismicamente mais ativas do continente. O país registra tremores de grande magnitude com regularidade, e a área do epicentro fica no trecho de maior atividade do território colombiano.