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De la Espriella toma posse na Colômbia e promete combate sem tréguas

Cerimônia foi em Cali, a primeira posse presidencial colombiana fora de Bogotá; novo governo anuncia megaprisões e lista de grupos narcoterroristas

O advogado Abelardo de la Espriella tomou posse como presidente da Colômbia nesta sexta-feira, 7 de agosto, em Cali, no departamento de Valle del Cauca, e afirmou que seu governo vai combater "sem tréguas o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas". Ele cumpre mandato até 2030 e sucede Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história colombiana.

A cerimônia rompeu com a tradição de mais de dois séculos ao ocorrer fora de Bogotá. De la Espriella foi empossado no auditório da Universidade Santiago de Cali, com juramento tomado pelo presidente do Senado, Honorio Miguel Henríquez Pinedo, e discursou em seguida no Cantón Militar Pichincha, diante de militares e forças policiais.

No discurso, o novo presidente disse que "a opção do diálogo" estava "completamente esgotada" e ofereceu aos grupos armados ilegais duas saídas: submeterem-se ou enfrentarem "a força resoluta do Estado". A frase marca a ruptura com a política de "paz total" negociada por Petro, que buscou acordos simultâneos com guerrilhas e quadrilhas de narcotráfico.

O que o governo anunciou na área de segurança

As medidas apresentadas no discurso de posse concentram-se em repressão e encarceramento:

  • divulgação de uma lista oficial de grupos classificados como narcoterroristas;
  • construção de megaprisões para abrigar condenados por crime organizado;
  • erradicação de plantações de coca "por todos os meios";
  • intensificação de bombardeios contra acampamentos de guerrilhas;
  • adesão ao Escudo das Américas, aliança antinarcóticos articulada pelo governo de Donald Trump.

A adesão ao arranjo liderado por Washington é o ponto de maior consequência externa. Ela recoloca a Colômbia no eixo de cooperação militar com os Estados Unidos, relação que se desgastou durante o governo Petro, e sinaliza alinhamento com El Salvador e outros países que adotaram política penitenciária de encarceramento em massa.

Como ele chegou ao cargo

De la Espriella foi eleito em 21 de junho, com margem inferior a 1% dos votos válidos, no resultado mais apertado de uma eleição presidencial colombiana em décadas. Advogado criminalista de perfil público, ele construiu a candidatura fora dos partidos tradicionais e capitalizou o desgaste da segurança pública durante a gestão anterior.

Cali é a terceira maior cidade da Colômbia e fica no Valle del Cauca, departamento que concentra parte da disputa territorial entre grupos armados no oeste do país. Foi também o principal foco dos protestos de 2021 contra o governo de Iván Duque. Nenhuma posse presidencial colombiana havia sido realizada fora da capital.

A solenidade reuniu os presidentes da Argentina, do Chile e do Equador, representantes da Casa Branca, o rei Felipe VI, da Espanha, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino. A margem estreita da eleição deixa o novo presidente sem maioria confortável no Congresso colombiano, o que condiciona a aprovação das medidas anunciadas.

Petro deixa o cargo após mandato único de quatro anos, sem direito a reeleição, regra vigente na Colômbia desde a reforma constitucional de 2015. O novo governo assume com a agenda de segurança no centro e com a política de negociação com grupos armados formalmente encerrada.

As informações sobre a posse e o discurso foram divulgadas pela Agência Brasil em 8 de agosto de 2026 e confirmadas nas coberturas de El Tiempo, Semana e CNN em Espanhol.

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