Mercosul oferece ajuda à Colômbia após terremoto que deixou 285 mortos
Bloco manifestou disposição de colaborar com resgate e reconstrução; balanço da agência colombiana desta sexta aponta 3.975 feridos e 379 desaparecidos
Os países do Mercosul manifestaram total disposição de colaborar com a Colômbia nas ações de resgate, assistência às vítimas e recuperação da infraestrutura destruída pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país na segunda-feira, 10. O bloco falou em resposta unida e solidária diante de emergências e catástrofes na região.
O balanço oficial não parou de subir desde então. Com corte às 6h30 desta sexta-feira, 14, a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), órgão do governo colombiano, registrava 285 mortos, 3.975 feridos e 379 desaparecidos.
O epicentro foi em San José del Palmar, no departamento do Chocó, na região do Pacífico. É o tremor mais forte registrado na Colômbia neste século.
A dimensão dos danos
O terremoto atingiu 15 dos 32 departamentos colombianos, com concentração no Chocó, em Risaralda, no Valle del Cauca, em Caldas e no Quindío, no centro, oeste e sudoeste do país. A zona é a região cafeeira da Colômbia.
Os números da UNGRD sobre o impacto material:
- 102.262 pessoas afetadas, de 45.523 famílias
- 12.828 moradias destruídas
- 240 unidades de saúde atingidas
- 2.205 instituições de ensino danificadas
- 1.208 centros comunitários afetados
- 210 vias, 73 sistemas de abastecimento de água, 44 pontes de veículos, 13 passarelas e cinco aeroportos comprometidos
Cali, terceira maior cidade do país, concentra parte relevante das mortes. Os trabalhos de resgate seguem em andamento, o que mantém o balanço sujeito a revisão.
Além do Mercosul, o México e as Nações Unidas informaram ter ajuda pronta para envio, à espera de solicitação formal do governo colombiano. Esse é o procedimento padrão em desastres naturais: a assistência externa depende de pedido do país atingido, que define o que precisa e por onde recebe.
O comunicado do Mercosul não detalhou o que cada país integrante ofereceu de forma individual. O bloco é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão. A Colômbia não integra o Mercosul, mas mantém acordo de complementação econômica com o bloco pela Comunidade Andina.
O número de vítimas de desastre em curso muda a cada atualização das autoridades locais. O balanço citado nesta reportagem é o divulgado pela UNGRD na manhã de 14 de agosto de 2026, quatro dias depois do tremor.
Por que a região foi tão atingida
O Chocó fica na borda da placa de Nazca com a placa sul-americana, uma das zonas de maior atividade sísmica do continente. É a mesma faixa que responde pelos grandes terremotos do Chile, do Peru e do Equador.
A diferença entre um tremor de magnitude 7,4 na costa e o mesmo evento em área povoada está no padrão construtivo. Boa parte das moradias das cidades atingidas é de autoconstrução, sem projeto estrutural e sem exigência de norma sismorresistente, o que ajuda a explicar as 12.828 casas destruídas.
O impacto sobre a infraestrutura de transporte é o que mais complica o socorro. Com 210 vias, 44 pontes e cinco aeroportos comprometidos, equipes e suprimentos dependem de rotas alternativas e de operação aérea concentrada nos terminais que seguem em funcionamento.
A região cafeeira colombiana responde por parte relevante da produção nacional do grão, principal item da pauta agrícola de exportação do país. O efeito sobre a safra ainda não foi mensurado pelas autoridades, e depende do estado das vias rurais e dos centros de beneficiamento.
O Brasil mantém embaixada em Bogotá e consulados no país. Brasileiros na área atingida podem acionar o serviço consular de plantão, canal usado em emergências para localização e assistência a nacionais no exterior.