Brasil habilita 21 frigoríficos para exportar carne bovina à Indonésia
Número de plantas brasileiras aptas ao mercado indonésio sobe de 52 para 73; país é o segundo maior comprador de miúdos bovinos
O Ministério da Agricultura e Pecuária habilitou 21 novos estabelecimentos brasileiros a exportar carne e miúdos bovinos para a Indonésia, informou a pasta em 10 de setembro de 2026. Com a autorização, o número de unidades brasileiras aptas a vender ao mercado indonésio sobe de 52 para 73.
As novas unidades estão em dez estados: Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins. A habilitação é o passo regulatório que autoriza cada planta industrial, individualmente, a embarcar produto para o país comprador, depois da análise do serviço veterinário indonésio sobre o sistema de inspeção brasileiro.
O tamanho do mercado indonésio
A Indonésia comprou 31.511 toneladas de carne bovina brasileira em 2025. No primeiro semestre de 2026, o volume chegou a 17.461 toneladas, ritmo acima do registrado no ano anterior. Em miúdos bovinos, o país é o segundo maior mercado do Brasil, com 21.191 toneladas adquiridas nos seis primeiros meses deste ano.
O dado dos miúdos explica parte do interesse. Fígado, coração, rim e outros cortes com baixa demanda no mercado interno brasileiro têm valor alto em países asiáticos, e o destino externo transforma em receita o que, sem comprador, pressiona a margem do frigorífico. É por isso que a habilitação para miúdos costuma valer tanto quanto a de carne para as plantas exportadoras.
A Indonésia tem mais de 280 milhões de habitantes e é o quarto país mais populoso do mundo. O consumo de carne bovina per capita é baixo para o padrão ocidental, o que faz do país um mercado de crescimento em vez de um mercado maduro, com demanda puxada por população urbana e renda em expansão.
O que a habilitação destrava
Sem a habilitação, o frigorífico não embarca, ainda que o Brasil como país esteja autorizado. Ampliar de 52 para 73 o número de plantas aptas aumenta a capacidade instalada disponível para o destino e reduz o gargalo logístico de concentrar a produção exportável em poucas unidades, sobretudo nos estados do Norte e do Centro-Oeste, onde está o rebanho.
A abertura de mercados é um dos itens que o setor cobra do governo federal em ano eleitoral, ao lado da renegociação de barreiras sanitárias e da pressão tarifária imposta por outros compradores. A balança comercial do agronegócio segue sustentando o superávit brasileiro, como mostram os números semanais da Secretaria de Comércio Exterior, tema tratado pelo Resenhando em reportagem sobre o resultado da primeira semana de setembro.
O Ministério da Agricultura e Pecuária não informou prazo para o início dos embarques das novas plantas nem projeção de volume adicional com a medida.