Política

Flávio Bolsonaro diz ao NYT que levará para o túmulo como chegou aos EUA

Na primeira entrevista desde que deixou o Brasil, senador nega ajuda de governos; assessor da Casa Branca disse ter providenciado o jato

O senador Flávio Bolsonaro (PL) disse ao jornal The New York Times, em entrevista publicada nesta quinta-feira, 5, que organizou sozinho a viagem aos Estados Unidos e que não vai revelar como chegou ao país. "Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo", afirmou.

É a primeira entrevista de Flávio desde que deixou o Brasil, em 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno, segundo o Metrópoles. O jornal americano reproduziu falas curtas sobre a saída do país e sobre as investigações a que ele responde.

"Foi tudo obra minha", declarou o senador. "Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo." Ele afirmou que a decisão de sair foi tomada por conta própria e admitiu um apoio apenas moral: "Pode ter havido torcida, mas nada além disso".

Sobre o futuro, Flávio disse ao NYT: "Eu já sei que o desfecho final será a minha prisão". Ele é investigado por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, mas ainda não foi denunciado à Justiça. O Metrópoles lembra que o mandato de senador termina no início de 2027, quando ele perde a imunidade parlamentar.

O que se sabe sobre a saída do país

A família chegou a Miami na manhã de quarta-feira, 28 de outubro: o senador, a mulher, Fernanda, e as duas filhas. Pousaram no aeroporto executivo Miami-Opa Locka, depois de uma escala em Guayaquil, no Equador. Antes, Flávio atravessou a fronteira com a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones, às 22h50 de 27 de outubro, e deixou o território argentino cerca de 40 minutos depois, de acordo com a Direção Nacional de Migrações do país vizinho.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia mandado apreender os passaportes do senador e impedido a saída do país, com base em alertas da Polícia Federal sobre risco de fuga. Segundo o Metrópoles, a viagem começou horas depois da ordem. O Resenhando noticiou em 27 de outubro que o senador não entregou o passaporte e que a PF cancelou os documentos.

A versão de Flávio convive com duas declarações do lado americano, que tratam de pontos diferentes. Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, confirmou ao Metrópoles que providenciou o jato particular usado pela família. O presidente Donald Trump disse publicamente que autorizou a entrada do senador, que ingressou nos Estados Unidos por parole, mecanismo que permite a permanência temporária de estrangeiros em situações específicas. O senador fala da organização da viagem, Miller do avião e Trump da entrada no país.

Na matéria consultada, nem o STF nem a PF comentaram a entrevista. A PF segue apurando a saída de Flávio sem registro em posto migratório brasileiro, como mostrou o Resenhando em 28 de outubro.