Comissão da Câmara de SP analisa impeachment de Nunes por frota de ônibus no 2º turno
Pedido do Psol acusa o prefeito de descumprir ordem da Justiça Eleitoral; parecer tem prazo de dez dias
A comissão especial da Câmara Municipal de São Paulo analisa nesta quinta-feira, 29, às 16h30, o pedido de impeachment do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Vereadores acusam o chefe do Executivo paulistano de descumprir decisão da Justiça Eleitoral sobre a frota de ônibus no segundo turno, realizado no domingo, 25.
A determinação judicial previa a circulação de 100% dos ônibus da capital durante a votação. Segundo a Agência Brasil, apenas 60% da frota ficou nas ruas durante grande parte do dia, e eleitores reclamaram de dificuldade para chegar às zonas eleitorais. O problema de transporte na eleição já havia chegado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como mostrou o pedido de ampliação do horário de votação em Salvador e São Paulo, apreciado pelo presidente do tribunal, Nunes Marques.
A denúncia foi protocolada no próprio domingo pelos vereadores Celso Giannazi, Amanda Paschoal e Silvia da Bancada Feminista, os três do Psol. Segundo a coluna de Vinicius Passarelli, no Metrópoles, a comissão se reúne nesta quinta para definir presidente e relator.
Quem integra a comissão e o que ela decide
O colegiado tem sete vereadores: Hélio Rodrigues (PT), Luana Alves (Psol), Rubinho Nunes (União), Major Palumbo (PP), Kenji Ito (Podemos), Sandra Santana (MDB) e Sandra Tadeu (PL). Segundo o Metrópoles, o grupo tem dez dias para emitir parecer sobre o pedido.
O parecer não abre o processo por si só. A abertura do impeachment depende de votação do plenário da Câmara Municipal, conforme registrou o Metrópoles. Até lá, o pedido segue na fase de análise preliminar.
O Metrópoles informa ainda que a denúncia cita, além da frota, a suspeita de pressão sobre servidores comissionados para que participassem de atividades eleitorais. A Agência Brasil não menciona esse ponto na sua apuração, e nenhuma das duas reportagens detalha provas apresentadas sobre ele.
As fontes consultadas não trazem manifestação da Prefeitura de São Paulo nem de Ricardo Nunes sobre o pedido até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para a versão da administração municipal.
Protestos marcados
Na noite anterior à reunião, a vereadora Luana Alves liderou um ato contra o prefeito em frente à sede da prefeitura, no centro, segundo a Agência Brasil. Outros dois atos estão previstos: na sexta-feira, 30, na Praça Roosevelt, e no sábado, 31, no Largo da Batata, em Pinheiros.
A fase seguinte é o parecer da comissão, que deve sair dentro do prazo de dez dias. Só depois disso os vereadores votam, em plenário, se o pedido vira processo. O prorrogação da votação e a troca de urnas no segundo turno mostram o que mais ocorreu no dia.