Política

Marinho lança candidatura à presidência do Senado e promete levar anistia a votação

Líder da oposição enfrenta Alcolumbre e Tereza Cristina; eleição é em 1º de fevereiro de 2027

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, anunciou nesta quarta-feira, 4, em Brasília, que será candidato à presidência do Senado no biênio 2027-2028. Ele fez o anúncio depois de reunião da bancada do PL e prometeu que, se eleito, levará a anistia a votação em plenário.

A frase sobre a anistia veio na entrevista a jornalistas, segundo a Revista Oeste. "Anistia é uma pauta que foi impedida, de fora para dentro, de tramitar dentro do Congresso que representa o povo brasileiro", disse Marinho. "Caso eu seja o presidente, eu vou submeter ao escrutínio dos meus pares. O que a maioria decidir é o que vai acontecer. Não vai haver imposição nem coação."

A reportagem da Oeste não cita número de projeto, e o senador não detalhou se falava de anistia aos condenados do 8 de janeiro ou de outro texto. Sem proposta numerada, a promessa fixa um compromisso de pauta, não um calendário de tramitação.

Quem disputa e quando é a votação

O adversário principal é o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição. De acordo com o g1, ele já conta com o apoio da federação União Progressista (União Brasil e PP) e de nomes do MDB e do PSD, e tenta atrair votos de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de parlamentares de direita. Nas reportagens consultadas até a publicação, Alcolumbre não havia comentado a candidatura de Marinho.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também anunciou que disputará o cargo, segundo o Poder360, e tenta atrair senadores de direita que resistem ao nome de Marinho. Perguntado sobre ela, o líder da oposição disse que Tereza "tem toda legitimidade para ser candidata" e que, "no momento oportuno", os dois devem convergir para um único nome da oposição. Os dois conversaram na manhã de quarta, de acordo com o senador.

A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027 e é decidida pelos 81 senadores. Marinho afirmou ter sido escolhido por 33 senadores presentes à reunião do PL. O g1 registra que o partido terá 29 integrantes na próxima legislatura, a maior bancada da Casa, o que dá peso à candidatura mas não basta para uma maioria. O próprio senador mencionou conversas com parlamentares do PP e do Republicanos.

Marinho coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, derrotado por Lula no segundo turno. Em 2023, ele enfrentou o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e perdeu a disputa, lembra o g1; na ocasião o PL ficou sem comissões e sem lugar na Mesa Diretora.

Os apoios que já apareceram

Antes do anúncio, o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) disse que não votará em Alcolumbre e que apoiará o candidato que a direita escolher, Marinho ou Tereza Cristina. O caso está em matéria publicada pelo Resenhando. Segundo a Gazeta do Povo, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que não apoiaria a reeleição de Alcolumbre em troca de uma eventual anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou aos condenados do 8 de janeiro.

Ainda de acordo com a Gazeta do Povo, aliados de Flávio querem manter senadores eleitos e em exercício mobilizados para fazer avançar no Senado os pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que Alcolumbre barrou ao longo de 2026. Marinho já havia apresentado, em outro momento, o projeto de resolução 54/2026 sobre o rito do impeachment no Senado.

Na mesma quarta, o PL se dividiu sobre lançar candidato próprio à presidência da Câmara contra Hugo Motta (Republicanos-PB). A bancada deve decidir na quarta-feira, 11, segundo o g1. A votação no Senado só acontece em fevereiro, e até lá o PL precisa converter os 29 votos da bancada em uma maioria de 41.