Política

Derrite diz que não vota em Alcolumbre e oposição se reúne quarta por Marinho

Senador eleito contraria PP e União Brasil; reunião da oposição na quarta deve marcar apoio a Rogério Marinho para 2027.

Neste texto3 tópicos
  1. O que a federação decidiu
  2. Quem a oposição pode lançar
  3. O que ainda falta

O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) anunciou que não votará na reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência do Senado e participa nesta quarta-feira, 4, em Brasília, de uma reunião de senadores eleitos da oposição que deve marcar apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN). A eleição da Mesa ocorre em fevereiro de 2027.

"Já declarei inúmeras vezes durante a campanha e venho aqui declarar publicamente aos mais de 13 milhões de eleitores aqui do estado de São Paulo que votaram em mim: não votarei em Davi Alcolumbre para presidência do Senado", disse Derrite em vídeo publicado nas redes sociais, segundo a Gazeta do Povo. O encontro de quarta foi antecipado pela coluna de Vinicius Passarelli, no Metrópoles, e deve contar com a bancada do PL.

O que a federação decidiu

A posição de Derrite contraria a da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. Na terça-feira, 27, os presidentes dos dois partidos, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, anunciaram apoio à recondução de Alcolumbre. Em nota, afirmaram: "A experiência de Davi Alcolumbre na condução do Senado Federal e do Congresso Nacional, especialmente em momentos de grandes desafios políticos, reafirma sua capacidade de promover o diálogo, construir consensos e preservar a independência do Parlamento e a harmonia entre os Poderes".

O anúncio saiu dois dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Segundo a Gazeta do Povo, a federação havia apoiado Flávio na disputa presidencial e, com a vitória dele, poderia ter apoiado Marinho na sucessão do Senado. A federação terá 12 senadores na próxima legislatura. O Metrópoles registra que Alcolumbre conta ainda com o apoio do governo.

Quem a oposição pode lançar

Derrite não fechou o nome em si. Na mesma manifestação, defendeu que a oposição se una em torno de um candidato único. "Votarei no candidato que a direita escolher, seja Rogério Marinho, seja Tereza Cristina, e creio que nós devemos unir as forças em torno de um único nome, para que não haja divisão de votos, e que a gente possa eleger o presidente do Senado", afirmou. Tereza Cristina (PP-MS) integra o mesmo partido de Derrite e da federação que apoia Alcolumbre.

O PL trabalha por Marinho. Aliados de Flávio Bolsonaro articulam que senadores em exercício e eleitos se mantenham mobilizados para elegê-lo, com o objetivo de fazer avançar na Casa os pedidos de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ao longo de 2026, segundo a Gazeta do Povo, Alcolumbre barrou os pedidos apresentados pela oposição contra o ministro. O mesmo tema já havia levado parlamentares da direita a ameaçar obstrução no plenário, como o Resenhando publicou em setembro, e Marinho apresentou um projeto de resolução que muda o rito do impeachment no Senado.

Parte da bancada do PL afirma que a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro, determinada pelo STF, seria um recado para que senadores apoiem a reeleição de Alcolumbre sob risco de punições, e que o atual presidente estaria "cooptando" parlamentares para o novo mandato. As duas afirmações são de integrantes do partido, relatadas pela Gazeta do Povo, e não foram confirmadas por documento ou decisão.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também afirmou que não apoiaria a reeleição de Alcolumbre em troca de uma eventual anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, segundo o mesmo jornal.

O que ainda falta

A reunião de quarta ainda não define o candidato da oposição: o PL já tem Marinho, mas o nome de Tereza Cristina segue citado por Derrite, e a federação de que ela faz parte decidiu pelo outro lado. Nas reportagens consultadas até a publicação desta matéria não havia resposta de Alcolumbre à declaração de Derrite. A escolha será feita em fevereiro de 2027 pelos 81 senadores, inclusive os eleitos agora que tomam posse naquele mês.