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Protestos da Geração Z reúnem milhares em mais de 30 cidades da Alemanha

Organizadores falam em 69 mil pessoas; a polícia contou 6 mil em três cidades. Houve canhões de água em Hamburgo.

Protestos organizados por jovens da chamada Geração Z chegaram à Alemanha neste sábado, 31, com atos em mais de 30 cidades e dezenas de milhares de participantes, informou a Folha de S.Paulo em texto distribuído pela Folhapress. A polícia usou canhões de água em Hamburgo e registrou policiais feridos em Frankfurt.

A iniciativa Gen Z Regelt, algo como "a geração Z manda", anunciou 69 mil participantes nas 12 cidades em que convocou atos. As manifestações se multiplicaram ao longo da semana, assim como os alertas de autoridades e políticos, receosos de que a violência vista na França se repetisse.

Contagens divergem

A Agência Brasil, com base em dados oficiais divulgados na tarde de sábado, informou que a polícia de Frankfurt, Munique e Berlim contou 6 mil manifestantes, contra cerca de 36 mil indicados no site dos organizadores para as mesmas três cidades. O total ficou bem abaixo dos 182 mil que o grupo esperava.

Os recortes são diferentes: a contagem policial é de um momento do dia e de três cidades, e os 69 mil dos organizadores cobrem 12. Em Berlim, a polícia calculou cerca de 5 mil pessoas no Portão de Brandemburgo.

Houve confronto. Em Hamburgo, canhões de água dispersaram manifestantes e apagaram fogo posto em tapumes de obra. Colônia e Stuttgart registraram choques rápidos, e em Frankfurt policiais ficaram feridos ao receber pedradas. Em Berlim, um ato paralelo de movimentos de esquerda, com cerca de 500 pessoas, foi contido depois que manifestantes lançaram rojões e sinalizadores contra os agentes.

O grupo diz se opor ao serviço militar obrigatório e quer mais investimento em educação, num país em que muitos jovens lidam com o aumento do custo de vida, segundo a Agência Brasil. A estudante de pós-graduação Louisa Hotzelmann, de 25 anos, disse à Folha: "Eles estão gastando dinheiro com as Forças Armadas, mas não com educação nem com saúde."

O Ministério Federal do Interior alemão afirmou que partes da cena extremista e grupos ligados a movimentos estrangeiros se uniram para mobilizar apoio ao movimento. O ministro do Interior de Hesse, Roman Poseck, cuja capital é Frankfurt, declarou: "A França não deve ser apresentada como modelo nesse sentido." Empresas de Berlim chegaram a tapar vitrines com tábuas na avenida Kurfürstendamm.

Não é o primeiro ato do tipo no continente. Pela Agência Brasil, os atos da Geração Z se espalham pela Europa neste ano: na Sérvia, o ativismo estudantil ajudou a tirar do poder, nas urnas, o líder de longa data do país, e na França os protestos terminaram em tumultos e saques. Neste sábado, quase 500 mil pessoas foram às ruas francesas, segundo os organizadores, ou 320 mil, segundo o Ministério do Interior da França.

Antes do ato deste sábado, o Conselho de Estado francês havia proibido o percurso que os sindicatos pretendiam fazer no centro de Paris, após recurso do governo, por risco de perturbação grave da ordem pública. A Itália teve confrontos entre manifestantes e polícia na sexta-feira, 30.

Outras notícias de fora do país no Resenhando: a disputa em torno do Tribunal Constitucional da Polônia e a votação da ONU sobre o embargo a Cuba.