AfD vence na Saxônia-Anhalt com 43,8% e faz 39 das 83 cadeiras
É a maior votação estadual já obtida pelo partido; a CDU perdeu 25 cadeiras e o comparecimento subiu 17,5 pontos percentuais
A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu a eleição estadual da Saxônia-Anhalt com 43,8% dos votos no domingo, 6 de setembro, e elegeu 39 dos 83 deputados do parlamento local. É a maior votação já obtida pelo partido em uma eleição estadual alemã.
O resultado oficial dá à legenda 576.037 votos, ante 226.622 da União Democrata Cristã (CDU), que ficou em segundo lugar com 17,2%. A CDU perdeu 25 das 40 cadeiras que tinha e caiu de 37,1% para pouco mais de um terço da votação anterior.
Não é a primeira vitória estadual da AfD. Em setembro de 2024, o partido já havia terminado em primeiro na Turíngia, com 32,8%, sem conseguir formar governo. O que muda na Saxônia-Anhalt é a dimensão: o partido saiu de 20,8% e 23 cadeiras, em 2021, para uma bancada maior que o dobro da segunda colocada.
O comparecimento também subiu de forma acentuada. Votaram 77,8% dos eleitores aptos, contra 60,3% cinco anos antes, uma diferença de 17,5 pontos percentuais.
Como ficou o novo parlamento estadual
- AfD: 43,8% e 39 cadeiras (+16)
- CDU: 17,2% e 15 cadeiras (-25)
- Partido Social-Democrata (SPD): 9,3% e 8 cadeiras (-1)
- Verdes: 8,9% e 8 cadeiras (+2)
- A Esquerda (Die Linke): 8,6% e 8 cadeiras (-4)
- Aliança Sahra Wagenknecht (BSW): 5,3% e 5 cadeiras, na estreia
- Partido Democrático Liberal (FDP): 2,6% e nenhuma cadeira (-7)
O FDP, que integrava o governo estadual, ficou abaixo da cláusula de barreira de 5% e deixou o parlamento. O atual chefe do governo da Saxônia-Anhalt é Sven Schulze, da CDU, que assumiu em janeiro deste ano depois da aposentadoria de Reiner Haseloff.
O candidato da AfD ao cargo é Ulrich Siegmund, de 35 anos. "Fizemos história neste país", afirmou ele na noite da apuração, segundo a Agência Brasil. Em outra declaração, Siegmund disse que "o povo deixou absolutamente claro que finalmente quer uma mudança política".
A conta que trava a formação do governo
Com 39 cadeiras, a AfD ficou a três da maioria absoluta, fixada em 42. Como os demais partidos alemães mantêm a recusa formal de coalizão com a legenda, prática conhecida na Alemanha como Brandmauer, a definição do novo governo depende de um acordo entre as siglas restantes.
A soma de CDU, SPD, Verdes e A Esquerda chega a exatamente 39 cadeiras, o mesmo número da AfD. Isso deixa os cinco deputados do BSW em posição decisiva. O partido de Sahra Wagenknecht descartou coalizão formal com a AfD e sugeriu um governo chefiado por um nome sem filiação partidária, sustentado por maiorias variáveis no parlamento.
O arranjo repetiria em parte o que ocorreu na Turíngia depois de 2024, quando CDU, BSW e SPD costuraram um acordo que levou Mario Voigt, da CDU, ao governo estadual e manteve a AfD fora do Executivo mesmo tendo sido o partido mais votado.
A direção nacional da AfD é exercida por Alice Weidel e Tino Chrupalla. No comando do governo federal está o chanceler Friedrich Merz, da CDU, que chegou ao cargo em 2025 defendendo a manutenção do isolamento da legenda.
A Saxônia-Anhalt fica no leste da Alemanha, região onde a AfD concentra suas maiores votações. Em agosto, o Escritório Federal de Estatística havia revisado para cima o desempenho da economia alemã, com alta de 0,3% do PIB no segundo trimestre.