Lula é o único líder fundador ausente da cúpula do Brics na Índia
Chanceler Mauro Vieira representa o Brasil em Nova Delhi neste sábado (12) e domingo (13); encontro encerra a presidência indiana do bloco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o único líder dos países fundadores do Brics ausente da Cúpula de Líderes do bloco, que ocorre neste sábado, 12, e neste domingo, 13, em Nova Delhi, na Índia. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A informação sobre a representação consta da nota à imprensa nº 290 do Ministério das Relações Exteriores. Reportagem do Poder360 publicada nesta sexta-feira, 11, registra que a ausência do petista se deve à campanha eleitoral: "Mesmo sendo um entusiasta dos Brics, Lula preferiu se concentrar em compromissos da agenda eleitoral para tentar se reeleger", diz o veículo.
A eleição presidencial brasileira tem primeiro turno marcado para 4 de outubro.
O que diz a nota do Itamaraty
A cúpula encerra a presidência indiana do Brics. A programação divide o encontro em duas etapas, segundo o Itamaraty:
- Sábado, 12: sessão restrita, sobre "Governança Global Inclusiva e Fortalecimento do Multilateralismo".
- Domingo, 13: segmento ampliado, sobre "Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade: Moldando o Futuro para um Crescimento Global Inclusivo", com países membros, 10 países parceiros e 16 países convidados.
A nota afirma que, diante de conflitos armados, da crise do multilateralismo e de desequilíbrios econômicos, o Brics funciona como "foro central para a articulação de posições conjuntas entre países em desenvolvimento, com vistas à construção de uma ordem global mais justa e inclusiva". O documento não menciona declaração final específica.
Quem confirmou presença em Nova Delhi
Estão confirmados na capital indiana os presidentes Xi Jinping, da China, Vladimir Putin, da Rússia, Masoud Pezeshkian, do Irã, Cyril Ramaphosa, da África do Sul, Abdel Fattah al-Sisi, do Egito, e Prabowo Subianto, da Indonésia, além do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres. O anfitrião é o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Os Emirados Árabes Unidos enviam o xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. A Arábia Saudita será representada pelo chanceler Faisal bin Farhan Al Saud.
Com a ausência de Lula, os quatro chefes de Estado fundadores presentes são Putin, no poder desde 2012, Xi, desde 2013, Modi, desde 2014, e Ramaphosa, desde 2018. Segundo o Poder360, é a segunda vez que os cinco fundadores não se reúnem: a anterior foi em 2019, em Brasília, quando Jair Bolsonaro presidia o Brasil.
A presidência do bloco é rotativa e anual. O Brasil a exerceu em 2025 e sediou a cúpula no Rio de Janeiro, em julho daquele ano. A Índia assumiu em seguida e encerra o mandato com o encontro de Nova Delhi.
A representação por chanceler não retira o Brasil das negociações nem do texto final, porque a redação da declaração conjunta é trabalho de sherpas e diplomatas, concluído antes da chegada dos chefes de Estado. O que muda é o peso político da presença: as fotografias, as reuniões bilaterais de margem e o anúncio de compromissos costumam ser atribuídos a quem está na sala.
A pauta que o bloco tenta fechar em declaração conjunta inclui a crise no Oriente Médio, tema atravessado por tensões entre membros recentes, entre eles Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito e Etiópia.
Para o Brasil, a ausência ocorre em um momento em que o bloco discute comércio em moedas locais, financiamento pelo Novo Banco de Desenvolvimento e coordenação diante de barreiras tarifárias. São temas que o governo brasileiro tratou como prioridade durante a própria presidência, em 2025.
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