Xi deve ir à Índia para a cúpula do Brics com comitiva de 400, diz Reuters
Encontro está marcado para 12 e 13 de setembro em Nova Délhi; presença do presidente chinês não foi confirmada oficialmente
O presidente da China, Xi Jinping, deve viajar à Índia para a cúpula do Brics, marcada para 12 e 13 de setembro em Nova Délhi, com uma comitiva de cerca de 400 integrantes. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 25 de agosto, pela agência de notícias Reuters. Seria a primeira visita do dirigente chinês ao país em sete anos.
A presença ainda não foi confirmada oficialmente. O governo chinês não costuma divulgar compromissos do presidente com muita antecedência, e Pequim não se manifestou sobre a agenda até a publicação desta reportagem.
O tamanho da delegação chama atenção por comparação. Na última passagem de Xi pela Índia, em 2019, a comitiva chinesa tinha 200 participantes, metade do número agora esperado. Índia e China ainda negociam os detalhes da viagem e uma eventual reunião bilateral entre Xi e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
O que separa os dois países
China e Índia mantêm disputa territorial desde a década de 1960 ao longo da Linha de Controle Real, fronteira não demarcada de cerca de 3.800 quilômetros. O ponto de ruptura mais recente foi o confronto no Vale de Galwan, em junho de 2020, que deixou 24 mortos entre militares dos dois lados e congelou a relação por anos.
Os sinais de reaproximação começaram a aparecer em 2025, quando Modi visitou a China. Cada lado tem um interesse declarado na retomada: Pequim quer acesso ao mercado consumidor indiano, e Nova Délhi busca transferência de tecnologia em inteligência artificial.
O que está em jogo para o Brasil
A Índia assumiu a presidência rotativa do Brics em 1º de janeiro de 2026, sucedendo o Brasil, que sediou a cúpula anterior no Rio de Janeiro, em 2025. É a quarta vez que o país comanda o bloco, depois de 2012, 2016 e 2021. O tema escolhido pela presidência indiana é "Construindo para a resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade".
Uma reaproximação entre os dois maiores membros asiáticos do grupo altera o equilíbrio interno do bloco. Brasil e Índia sustentam há anos posições convergentes em comércio agrícola e em reforma de organismos multilaterais, enquanto a agenda chinesa tem se concentrado em arranjos financeiros próprios, como o Novo Banco de Desenvolvimento e as tentativas de ampliar o comércio em moedas locais.
Com China e Índia alinhadas em pontos que antes as opunham, a margem brasileira para arbitrar divergências dentro do grupo tende a diminuir. A diplomacia brasileira ainda não indicou publicamente qual será a posição do país nos temas em disputa na cúpula.
A presidência indiana já cumpriu etapas preparatórias ao longo do ano. Os ministros das Relações Exteriores do bloco se reuniram em Nova Délhi em 14 e 15 de maio, encontro que costuma fechar boa parte do texto da declaração final antes da chegada dos chefes de Estado. A capital indiana intensificou nas últimas semanas os preparativos de segurança, tráfego e infraestrutura urbana para o encontro de setembro.
O Brics reúne hoje Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e os países que aderiram nas rodadas de ampliação. A cúpula de setembro será a primeira grande reunião de chefes de Estado do bloco sob a presidência indiana, e a agenda oficial do encontro não foi divulgada na íntegra.
O banco do grupo, presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff, também vem tratando de novas adesões. Em agosto, o Novo Banco de Desenvolvimento discutiu com o Banco Central do Irã a entrada do país na instituição.
A Reuters não informou se a visita de Xi incluirá compromissos bilaterais fora da cúpula. O Itamaraty não divulgou a composição da delegação brasileira ao encontro.