Dilma discute com o BC do Irã a entrada do país no banco do Brics
Encontro com Abdolnaser Hemmati ocorreu em 12 de agosto, em Jaipur, na Índia; adesão do Irã ao Novo Banco de Desenvolvimento ainda depende de negociação técnica
A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco dos Brics, Dilma Rousseff, reuniu-se na quarta-feira, 12 de agosto, com o presidente do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, para tratar da entrada do país na instituição financeira criada pelo bloco.
O encontro ocorreu em Jaipur, na Índia, à margem da reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do bloco. O relato do teor da conversa partiu do lado iraniano e foi divulgado pela imprensa estatal do país, conforme reportagem da Gazeta do Povo publicada em 12 de agosto.
Segundo essa versão, Dilma destacou a importância da participação do Irã no NDB e mencionou o potencial do país para ampliar a cooperação regional e internacional da instituição. As duas partes defenderam a continuidade das negociações técnicas sobre a adesão e sobre o futuro acesso de Teerã às linhas de financiamento do banco.
No mesmo dia, Hemmati afirmou que a entrada do Irã deve se concretizar em futuro próximo. Em declaração reproduzida pela Agência Brasil, ele disse: "O resultado mais importante da cooperação entre os países-membros do Brics é a criação do Novo Banco de Desenvolvimento".
Na mesma reunião do bloco, o dirigente iraniano cobrou resultados práticos do agrupamento. Segundo a Gazeta do Povo, ele afirmou que o Brics "terá maior impacto se conseguir transformar discussões políticas em mecanismos concretos de cooperação econômica e financeira".
A adesão não foi aprovada. O processo segue em negociação técnica, e o relato disponível até agora sobre o encontro é o divulgado pelo lado iraniano.
Quem está no banco e o que o Irã busca
O NDB foi criado pelos cinco países fundadores do Brics e hoje tem como membros Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Egito. A instituição financia projetos de infraestrutura e desenvolvimento e mantém parte de suas operações em moedas locais, fora do dólar.
O Irã entrou no Brics em 2024, na fase de ampliação do bloco, mas nunca integrou o banco. O país segue sob amplas sanções dos Estados Unidos e de outros países ocidentais, conforme registra a Gazeta do Povo, e não fechou acordo de paz com os norte-americanos e com Israel. Segundo a Agência Brasil, é esse quadro que leva Teerã a procurar canais financeiros alternativos ao sistema do dólar.
A distinção importa para entender o que Teerã ganha com a adesão. Ser membro do Brics é uma posição política. Ser membro do NDB é uma posição financeira, com direito a tomar crédito e a participar das decisões sobre onde o banco empresta.
O que está em discussão, na prática:
- Adesão: o ingresso do Irã como país-membro do NDB, que ainda depende de negociação técnica.
- Financiamento: o acesso futuro de Teerã às linhas de crédito do banco.
- Moeda: as operações do NDB fora do dólar, ponto de interesse direto de um país sancionado.
Como o Brasil entra nessa decisão
O Brasil é sócio fundador do NDB, tem assento no conselho de governadores da instituição e integraliza parte do capital do banco. A presidência do NDB está com Dilma Rousseff, ex-presidente da República, desde 2023.
O detalhamento do que foi tratado entre Dilma e Hemmati veio da imprensa estatal iraniana. A declaração de Hemmati sobre a adesão em futuro próximo, essa sim, foi reproduzida pela Agência Brasil na mesma data.
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