Irã diz que negociação com Omã sobre rota em Ormuz está em fase final
Porta-voz da chancelaria iraniana afirmou à TV estatal que o país trata apenas com Mascate e nega canal aberto com os Estados Unidos
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou no domingo (2) que as negociações do país com Omã sobre a navegação no Estreito de Ormuz estão em fase final. A declaração foi dada à televisão estatal iraniana e divulgada pela Gazeta do Povo com informações da agência espanhola EFE.
Segundo Baghaei, Teerã negocia apenas com Mascate, sem qualquer canal aberto com os Estados Unidos. As tratativas envolvem a criação de uma nova rota de navegação no estreito, distinta da rota norte, defendida pelo Irã, e da rota sul, proposta por Omã em julho.
Não há confirmação pública do governo omanense sobre o estágio das conversas. As informações sobre a posição do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foram divulgadas pela agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária.
Por que a rota importa
O Estreito de Ormuz responde por cerca de um quinto do volume de petróleo transportado por mar no mundo. É a única saída marítima do Golfo Pérsico, e por ele escoa a produção da Arábia Saudita, do Iraque, dos Emirados Árabes Unidos, do Kuwait e do próprio Irã.
A geografia da passagem explica a disputa. O canal navegável é estreito e corre junto ao território iraniano em sua porção norte, o que dá a Teerã a posição de quem controla a via na prática. Uma rota alternativa mais ao sul reduziria essa dependência, e é essa mudança de fato, e não só de traçado, que está no centro da negociação.
Para o Brasil, o efeito é indireto e passa pelo preço. Alterações na percepção de risco em Ormuz costumam mexer na cotação internacional do barril, referência para o cálculo da Petrobras nos combustíveis vendidos no mercado interno.
O que ainda não está confirmado
Toda a informação disponível até aqui parte de fontes iranianas. Não há divulgação de texto de acordo, de prazo para assinatura nem de detalhamento técnico do traçado proposto. Procurados por veículos que noticiaram as declarações, os governos de Omã e dos Estados Unidos não se manifestaram sobre o teor das conversas.
Leia também: Tesouro dos EUA compra ienes pela primeira vez desde 2011.