Tesouro dos EUA compra ienes pela primeira vez desde 2011
Fed de Nova York vendeu euros por ienes em nome do Tesouro americano na sexta-feira, 31, depois de duas intervenções do Japão na mesma semana.
O Tesouro dos Estados Unidos interveio no mercado de câmbio para comprar ienes na sexta-feira, 31 de julho, primeira operação americana em favor da moeda japonesa desde 2011. A informação foi divulgada pelo Financial Times e repercutida pela CNN Brasil e pela InfoMoney no mesmo dia.
Segundo o relato, o Federal Reserve de Nova York executou a ordem em nome do Tesouro, vendendo euros em troca de ienes por meio do Goldman Sachs e do Morgan Stanley. A moeda japonesa operava perto do menor patamar em quatro décadas frente ao dólar.
A intervenção veio depois de duas ações do Banco do Japão na mesma semana. Na quinta-feira, 30, e novamente durante o pregão de Nova York na sexta, as autoridades japonesas venderam divisas para comprar a própria moeda. O volume japonês pode ter chegado a US$ 58,97 bilhões na quinta, conforme os dados citados na reportagem.
O efeito no mercado
O iene passou de cerca de 158,9 por dólar para aproximadamente 157,6 depois da notícia da participação americana. Nas semanas anteriores, a moeda havia se aproximado de 164 por dólar, sua máxima recente na cotação frente à divisa americana.
Uma anotação atribuída ao secretário do Tesouro americano, registrada em bloco de notas e fotografada por jornalistas, indicava plano de comprar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões em ienes. O Tesouro não confirmou oficialmente o valor.
A última vez que os Estados Unidos apoiaram diretamente o iene foi em 2011, em ação coordenada com países do G7 para estabilizar mercados após o terremoto e o tsunami no Japão. Segundo o presidente Donald Trump, a compra desta vez foi feita como sinal de amizade ao aliado asiático diante da desvalorização da moeda.
Por que isso importa para moedas emergentes
Intervenção coordenada entre dois bancos centrais do G7 é evento raro e altera o custo das operações que financiam posições em moedas de maior rendimento. O chamado carry trade usa recursos captados em iene, historicamente barato, para comprar ativos que pagam juros altos, entre eles títulos brasileiros.
Quando o iene se valoriza de forma abrupta, parte dessas posições é desmontada, o que costuma pressionar moedas emergentes no curtíssimo prazo. O real acompanha esse movimento com intensidade variável, a depender do diferencial de juros vigente e do apetite por risco no período.
O Ministério das Finanças do Japão não detalhou o volume das próprias operações, prática usual das autoridades japonesas, que costumam divulgar os números em relatório mensal. O Tesouro americano não comentou publicamente a operação até a publicação desta reportagem.