Petróleo supera US$ 90 com indefinição sobre o Estreito de Ormuz
Brent chegou a US$ 90,03 na manhã desta terça e recuou ao longo do dia; bloqueio da rota e exigências do Irã para reabertura sustentam a alta
O barril do petróleo Brent superou a marca de US$ 90 na manhã desta terça-feira, 11 de agosto, e chegou a US$ 90,03 por volta das 6h, alta de 2,63%. Ao longo do dia a cotação perdeu força e marcava US$ 88,64 às 14h15, com valorização de 1,05%. O petróleo WTI, referência para o mercado norte-americano, era negociado a US$ 83,09, com alta de 1,15%.
A oscilação tem uma causa central: a indefinição sobre a liberação do Estreito de Ormuz. A rota, bloqueada, concentra parte relevante do embarque de petróleo do Golfo Pérsico, e a ausência de uma data para a normalização do tráfego mantém o mercado precificando risco de oferta a cada notícia.
O que trava a reabertura da rota
O impasse envolve as exigências apresentadas pelo Irã para permitir a reabertura da passagem, entre elas compensações por danos sofridos no conflito recente, e a resposta dos Estados Unidos a essas demandas. Enquanto as negociações não avançam, o mercado alterna sessões de alta com realização de lucros, sem estabelecer um patamar de preço.
Analistas do ING e Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, estão entre as fontes que acompanham o movimento e apontam a repetição desse padrão: entusiasmo inicial a cada sinal de negociação, seguido de recuo quando o acordo não se materializa.
O Resenhando detalhou o desenho alternativo que está em avaliação na região, com nova rota discutida entre Irã e Omã, na reportagem sobre a fase final das tratativas.
As duas referências citadas medem óleos distintos. O Brent é a cotação do petróleo extraído no Mar do Norte e serve de referência para a maior parte do comércio internacional, inclusive para o óleo brasileiro. O WTI acompanha o óleo produzido nos Estados Unidos e circula sobretudo no mercado norte-americano. A diferença de preço entre os dois costuma girar em torno de alguns dólares por barril, e o intervalo se alarga quando o risco geopolítico se concentra no Oriente Médio, como agora.
Como isso chega ao bolso do brasileiro
O Brasil é exportador líquido de petróleo, mas o preço do combustível vendido no país acompanha a referência internacional. A Petrobras adota política de preços que considera a cotação do barril e o câmbio, e os reajustes na refinaria são repassados em cascata: distribuidora, posto e consumidor.
O intervalo entre a alta no mercado externo e a mudança na bomba costuma variar de semanas a meses, e depende da decisão da estatal sobre absorver ou não parte da variação. A carga tributária sobre o combustível amplifica o efeito final, porque incide sobre um preço de partida já mais alto.
O impacto não se limita ao tanque. Diesel mais caro encarece o frete rodoviário, que responde pela maior parte do transporte de carga no país, e o custo se dilui na cadeia até chegar ao preço dos alimentos e dos bens de consumo. É por esse canal que a cotação do barril entra no índice de inflação.
O câmbio é a segunda variável da conta. Como o barril é cotado em dólar, uma alta simultânea da moeda e do petróleo dobra a pressão sobre o custo de importação de derivados, mesmo com o país produzindo mais óleo do que consome. É a combinação que costuma antecipar reajuste na refinaria.
Não há previsão divulgada para a liberação do Estreito de Ormuz. Enquanto o impasse durar, a tendência apontada pelos analistas é de volatilidade, com o preço reagindo a cada declaração das partes envolvidas.