Mundo

Bessent diz que EUA vão impor ao Irã as sanções mais duras da história

Secretário do Tesouro americano fala em golpe duplo e junta o pacote financeiro ao bloqueio naval no Estreito de Ormuz

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou na quinta-feira, 20, em entrevista à emissora CNBC, que o governo americano vai impor ao Irã as sanções econômicas mais duras da história, em combinação com o bloqueio naval já aplicado pelos EUA na região do Estreito de Ormuz.

Bessent descreveu a medida como uma ação em duas frentes e disse que o objetivo declarado é a queda do governo de Teerã.

"É um golpe duplo. Temos o bloqueio (ao Irã) e vamos impor as sanções mais duras da história", disse o secretário. "Isso vai funcionar no Irã e vamos derrubar esse regime."

Segundo ele, a pressão econômica máxima reduz a necessidade de uma nova operação militar de grande porte. Questionado sobre a reação do mercado de petróleo ao anúncio, Bessent respondeu que não sabia explicá-la: "Não sei ao certo por que o petróleo reagiu a isso. Se estamos exercendo a máxima pressão econômica, isso significa que provavelmente não haverá um reinício cinético em grande escala."

O secretário afirmou que detalharia o pacote em entrevista coletiva na segunda-feira seguinte ao anúncio. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil, com base na entrevista à CNBC e em despachos de agências internacionais.

O que já está em vigor no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz transportava cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo antes de fevereiro. O Irã demonstrou nos últimos meses capacidade de restringir o tráfego pela via.

Os Estados Unidos impuseram bloqueio naval em abril e o suspenderam por um mês em meados de junho. O bloqueio voltou a vigorar e é a peça que Bessent chama de primeira metade do "golpe duplo": as sanções financeiras seriam a segunda.

O presidente Donald Trump reforçou a ameaça em publicação na rede Truth Social, na qual afirmou que qualquer país cujas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais deem sustentação ao Irã enfrentará consequências econômicas. Trump não nomeou nenhum país na publicação.

A resposta de Teerã

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou o anúncio e classificou as sanções como "terrorismo econômico".

Para a empresa brasileira, o ponto de atenção está no efeito de segunda ordem. Sanção secundária alcança bancos e companhias de terceiros países que operem com a entidade designada, e não apenas o país alvo. É a mesma engenharia do pacote que os EUA aplicaram na mesma semana contra o Ministério da Construção de Cuba e oito empresas ligadas a ele. Leia também: EUA sancionam Ministério da Construção de Cuba e oito empresas.

Na publicação em que ameaçou terceiros países, Trump classificou a iniciativa como a operação econômica mais devastadora já realizada contra um país e falou em isolamento do Irã. A cronologia importa: o anúncio partiu do secretário do Tesouro em entrevista, foi reforçado pelo presidente em rede social e só depois seria detalhado em coletiva. Até que o detalhamento saia, não há lista de bancos, empresas ou embarcações designadas, e é a lista que define quem fica exposto.

O tamanho desse risco depende do texto que sair na coletiva anunciada por Bessent. Enquanto a lista de entidades designadas não for publicada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro americano, o que existe é o anúncio político, não a norma.

3 visualizações