Política

Defesa de Bolsonaro pede a Moraes que fisioterapia passe a duas horas

Pedido é sustentado por relatório do fisioterapeuta Kleber Antonio Caiado de Freitas e por boletim médico assinado por Brasil Ramos Caiado

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que amplie de uma para duas horas a duração das sessões de fisioterapia autorizadas durante o cumprimento da prisão domiciliar. O teor do pedido foi revelado pela Gazeta do Povo na sexta-feira, 21.

O argumento é técnico e vem assinado pelo fisioterapeuta que acompanha o ex-presidente, Kleber Antonio Caiado de Freitas. Segundo ele, o limite atual não permite concentrar em uma única sessão todos os procedimentos indicados no quadro clínico.

A relação apresentada inclui "exercícios de mobilidade, fortalecimento, exercícios resistidos, técnicas de liberação miofascial e aplicação de recursos terapêuticos", conforme a manifestação enviada ao gabinete do relator.

O que diz o boletim médico

O pedido veio acompanhado de boletim assinado pelo médico Brasil Ramos Caiado. O documento descreve oscilações de pressão dentro dos limites normais e episódios de soluço com frequência e intensidade em queda, além de desequilíbrio corporal, sonolência diurna e risco de quedas.

O boletim registra ainda refluxo gastroesofágico, condição associada à orientação de dieta controlada em acidez e sódio.

As decisões do relator sobre o regime domiciliar têm tratado atendimento médico, fisioterapia e reuniões com advogados de forma separada das visitas sociais, que já foram suspensas por prazo determinado em outras ocasiões.

Como fica a decisão

Cabe a Moraes decidir sobre o pedido, e não há prazo fixado para isso. Até a publicação desta reportagem, o STF não havia divulgado decisão sobre a ampliação das sessões, e o gabinete do ministro não registrou movimentação pública no caso.

A Gazeta do Povo, que teve acesso à peça, não informou o número da petição nem a frequência semanal das sessões atualmente autorizadas.

O caminho processual é conhecido: a defesa apresenta a solicitação instruída com laudo médico e cabe ao relator decidir. Bolsonaro está em prisão domiciliar por razões humanitárias, regime em que cada flexibilização depende de autorização específica e o descumprimento de condição imposta pode levar à revisão da medida.

É o mesmo caminho que produziu as decisões anteriores do relator sobre quem pode entrar na casa e em que condições. Moraes já proibiu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai e, em outro pedido, autorizou que a irmã da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro permanecesse na residência durante a realização de exames.

O quadro de saúde também sustentou a decisão que afastou o ex-presidente da campanha do filho ao Planalto até o primeiro turno. Cada uma dessas manifestações foi analisada em separado, com laudo anexado e resposta individual do gabinete, sem alteração do regime em si.

No pedido atual, o que está em jogo é o tempo de cada sessão, não a frequência nem o local do atendimento, que seguem como estabelecidos nas autorizações anteriores. Uma eventual negativa mantém a fisioterapia em uma hora; uma decisão favorável dobra a duração sem mexer no restante das condições impostas.

Leia também: Moraes autoriza irmã de Michelle a ficar na casa de Bolsonaro durante exames.

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