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Naufrágio na Tunísia deixa 13 desaparecidos na rota para a Itália

Duas pessoas foram resgatadas com vida; guarda costeira busca os desaparecidos com apoio aéreo e naval

Treze pessoas estão desaparecidas após o naufrágio de um barco com migrantes na costa da Tunísia, na madrugada de quinta-feira, 20. Duas foram resgatadas com vida. A embarcação havia partido do país norte-africano com destino à Itália, segundo a Guarda Nacional da Tunísia.

Todos os ocupantes eram tunisianos. O porta-voz da corporação, Houssem Eddine Jebabli, informou que as buscas seguiam nos dias seguintes ao acidente. "Unidades da guarda costeira, apoiadas por uma aeronave e unidades navais, estavam realizando operações de busca pelos migrantes desaparecidos", declarou.

Quatro corpos foram recuperados na região no período, mas as autoridades não confirmaram se as vítimas estavam na mesma embarcação. O número de pessoas a bordo no momento do naufrágio não foi informado.

A rota mais letal do Mediterrâneo

O trecho entre a costa tunisiana e a Itália integra a chamada rota do Mediterrâneo Central, descrita por organismos internacionais como uma das rotas migratórias mais mortíferas do mundo. A travessia costuma ser feita em embarcações precárias, muitas de fabricação artesanal, sem equipamento de navegação e com lotação acima da capacidade.

As partidas a partir da Tunísia caíram de forma acentuada nos últimos dois anos, em meio à repressão das autoridades locais às redes que organizam as travessias. A queda no número de saídas, porém, não eliminou os naufrágios: as viagens que ainda ocorrem tendem a usar rotas mais longas e barcos em pior estado, para escapar do patrulhamento.

Os números do ano ajudam a medir a escala. Em balanço divulgado em abril, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) contabilizava pelo menos 990 mortos ou desaparecidos no Mediterrâneo em 2026, um dos piores inícios de ano desde que a série começou, em 2014. Só em janeiro foram 459 mortes ou desaparecimentos, o maior registro para um mês de janeiro em toda a contagem. Desde 2014, cerca de 34 mil pessoas são dadas como desaparecidas na travessia.

O padrão se repete nas duas pontas da rota. Migrantes partem sobretudo da Líbia e da Tunísia rumo à Itália e a Malta, e as operações de resgate dependem da coordenação entre guardas costeiras nacionais e embarcações de organizações humanitárias, arranjo que vem sendo restringido por governos europeus que endureceram as regras de desembarque.

A pressão migratória sobre o sul da Europa vem produzindo respostas cada vez mais duras dos governos do bloco. Em episódio recente na fronteira espanhola, a travessia em massa para Ceuta terminou com 72 mortes contabilizadas pelas autoridades, caso registrado em Espanha contabiliza 72 mortes na travessia em massa para Ceuta.

A informação sobre o naufrágio foi divulgada pela Agência Brasil em 22 de agosto, com base em dados da Guarda Nacional da Tunísia. Não há, até o momento, balanço final das buscas nem identificação das vítimas.

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