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Carney diz que EUA ameaçaram a cultura do Quebec e encerra negociação

Primeiro-ministro do Canadá afirmou que Washington mudou os termos do acordo comercial na reta final

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou neste domingo, 23, que os Estados Unidos ameaçaram a língua francesa e a cultura do Quebec durante a negociação comercial entre os dois países, e declarou encerrada a etapa das conversas. A declaração foi dada dois dias depois de o governo americano alterar os termos que estavam na mesa.

Segundo Carney, o acordo estava próximo até que a contraparte americana recuou. "Parecia que estávamos prontos para ter um acordo [...] Mas eles mudaram [de ideia], incluindo as ameaças contra a língua francesa e a cultura, a cultura quebequense, a cultura canadense. Isso não é aceitável, nunca foi aceitável, e por causa disso é o fim desta etapa de negociação", disse.

O premiê também classificou as mudanças de última hora feitas pelos Estados Unidos como "injustas, anti-econômicas" e disse que elas "colocaram em questão a confiabilidade de qualquer acordo". Em outro trecho, comparou a conduta americana a uma ofensiva: "Ataca-se como em uma guerra. Isso não é nada bom".

O que está em jogo na disputa tarifária

O governo de Donald Trump impôs tarifa de 50% sobre produtos canadenses, medida que atinge cerca de US$ 20 bilhões em exportações do país vizinho. As negociações ocorreram em 21 de agosto, e no dia seguinte vieram o anúncio das tarifas e a resposta canadense. A retaliação decidida por Ottawa entra em vigor em 8 de setembro.

A menção à língua francesa e à cultura quebequense recoloca no centro da disputa um tema sensível na política interna canadense. O Quebec mantém regime próprio de proteção linguística e cultural, e cláusulas de exceção cultural são tratadas por Ottawa como ponto inegociável em acordos comerciais desde as primeiras rodadas do livre-comércio na América do Norte.

A resposta de Ottawa

A retaliação anunciada por Ottawa tem data marcada: 8 de setembro. A janela entre o anúncio e a entrada em vigor costuma funcionar como espaço de negociação de última hora, expediente usado pelos dois lados em rodadas anteriores da disputa. Foi nesse intervalo que Carney escolheu declarar encerrada a etapa das conversas.

Carney afirmou que o país vai acelerar a diversificação de parcerias. "Desde o 1º dia, estivemos focados em fortalecer nossas capacidades internas e diversificar nossas parcerias no exterior. [...] O Canadá tem o que o mundo quer. E não permitiremos que nação alguma determine o nosso futuro", declarou o primeiro-ministro, que é do Partido Liberal.

A imposição da tarifa de 50% e a retaliação canadense foram detalhadas em EUA aplicam tarifa de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos do Canadá. As informações desta reportagem foram divulgadas pelo Poder360 em 23 de agosto. Não há registro de manifestação do governo dos Estados Unidos sobre as declarações do premiê canadense.

Para o Brasil, a rodada entre Washington e Ottawa serve de parâmetro. O Canadá optou por interromper a negociação e anunciar contramedidas em vez de aceitar termos revistos no fim da conversa, caminho distinto do que o governo brasileiro vem adotando enquanto tenta reabrir a própria negociação sobre o tarifaço.

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