Receita fiscal da China sobe 11,7% em julho e gasto público fica em 0,5%
Dados do Ministério das Finanças mostram arrecadação em alta e execução orçamentária na segunda menor taxa em cinco anos
A receita fiscal da China cresceu 11,7% em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o maior avanço mensal desde o fim de 2024, enquanto os gastos do governo subiram apenas 0,5%. Os dados são do Ministério das Finanças da China e foram publicados pelo Caixin Global em 24 de agosto, com republicação no Brasil pelo Poder360 nesta terça-feira, 25.
A arrecadação de impostos avançou 13,9% no mês. O maior salto veio do imposto de selo sobre a negociação de títulos, que subiu 108,6%, reflexo do volume movimentado no mercado financeiro chinês. O imposto de renda das empresas cresceu 20,8% e o de pessoas físicas, 25,9%.
Do outro lado do balanço, a execução das despesas segue lenta. De janeiro a julho, os gastos do orçamento público geral atingiram 54,3% do total previsto para o ano, segundo o Caixin a segunda menor taxa de execução para o período em cinco anos.
O que os números revelam
O contraste entre receita em alta e gasto parado é o dado central do balanço. Arrecadar mais e desembolsar menos significa que o estímulo fiscal anunciado pelo governo chinês não está chegando à economia no ritmo do que foi orçado.
A receita com a venda de terrenos estatais caiu 27,1% em julho. Essa é uma das principais fontes de recursos dos governos locais chineses, historicamente ligada ao setor imobiliário, que atravessa retração prolongada. A queda pressiona o caixa das administrações provinciais e municipais, justamente as responsáveis por executar boa parte do investimento público.
O avanço do imposto de selo sobre títulos indica que parte do crescimento da arrecadação vem da atividade financeira, e não necessariamente da produção. É uma composição que reforça a leitura de uma economia em que o mercado de capitais gira mais rápido que o setor real.
Por que interessa ao Brasil
A China é o principal parceiro comercial brasileiro e o maior destino das exportações do agronegócio. O ritmo do investimento público chinês influencia a demanda por minério de ferro, soja e proteína animal, três dos itens de maior peso na pauta de vendas do Brasil.
A relação também avança em outras frentes. Em agosto, a China abriu registro para a exportação de polpas e frutas congeladas brasileiras, e o Tesouro Nacional trabalha para estrear na emissão de títulos em yuan ainda neste ano.
O Ministério das Finanças da China não divulgou o dado acumulado de receita para o período de janeiro a julho, nem o resultado fiscal consolidado. As informações disponíveis se restringem ao recorte mensal e ao percentual de execução das despesas.
Onde a conta aperta
O modelo fiscal chinês reparte responsabilidades de forma desigual. O governo central concentra boa parte da arrecadação, e os governos provinciais e municipais respondem pela maior fatia da despesa, sobretudo infraestrutura, educação e saúde. A venda de direitos de uso de terrenos foi por anos o que fechava essa conta na ponta local.
Com a queda de 27,1% nessa receita em julho, a diferença precisa ser coberta por transferências do governo central ou por emissão de dívida. O percentual de execução orçamentária de 54,3% em sete meses indica que essa cobertura não vem sendo suficiente para manter o ritmo de desembolso previsto.
A relação comercial entre os dois países também avança em outras frentes. Em agosto, a China abriu registro para a exportação de polpas e frutas congeladas brasileiras, e pediu para entrar como terceiro interessado na ação que o Brasil move contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio por causa do tarifaço.
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