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Macron anuncia que vai proibir protestos "ilegítimos" na França

Presidente culpa ultraesquerda por distúrbios de 17 de outubro; sindicatos terão trajetos alternativos

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira, 22, que o governo vai proibir nos próximos dias os protestos que classificar como "ilegítimos". Para as manifestações convocadas por sindicatos, a promessa é de trajetos alternativos, definidos pelas autoridades. As informações são da Agência Brasil, com base em reportagem da RTP, e o anúncio foi confirmado por Reuters, The Guardian e DW.

A declaração, de pouco mais de três minutos, veio depois de uma reunião no Palácio do Eliseu com ministros e com os serviços de informações. Macron atribuiu os distúrbios de sábado, 17, a "grupos organizados de ultraesquerda" que, nas palavras dele, "visam derrubar a República". Segundo a Agência Brasil, houve confrontos, roubos e furtos em várias cidades, com estragos em cerca de 3 mil lojas.

"A mão não deve tremer no topo do Estado", disse o presidente. O governo afirma que o objetivo é proteger o comércio.

De onde veio a crise

A onda de protestos começou nos subúrbios pobres de Paris e se espalhou pelo país. O estopim foi a reclamação de alunos, professores e pais contra a falta de pessoal e as salas de aula em mau estado. No dia 6, centenas de escolas foram bloqueadas. Dois dias depois, o governo prometeu mandar cerca de 3 mil professores já habilitados, mas ainda sem sala, para cobrir as vagas abertas. Os sindicatos estudantis chamaram o compromisso de primeira vitória e mantiveram as greves.

No sábado, 17, o cenário mudou. Dois dias depois, o governo pediu a autoridades locais que impusessem toques de recolher, e o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, não descartou decretar estado de emergência. Ele culpa a extrema esquerda por querer causar "profundos distúrbios" na reta final da eleição presidencial, que acontece daqui a cerca de seis meses. Jean-Luc Mélenchon, candidato presidencial de A França Insubmissa, respondeu que Lecornu deveria apresentar provas "ou pedir desculpas e ficar calado".

O que muda até o próximo sábado

Há nova mobilização marcada para este sábado, 24, menos de 48 horas depois do anúncio. As autoridades prometem um dispositivo policial de grande porte, com veículos blindados e unidades de elite. O toque de recolher voltou a valer na noite de quarta-feira, 21, em diferentes cidades, e pelo menos 174 pessoas foram detidas, segundo a agência.

A Confederação dos Comerciantes da França avisou que a preocupação é "máxima". O presidente da entidade, Pierre Bosche, falou à agência France-Presse.

O texto divulgado até agora não traz os critérios. Não está claro quem assina a proibição nem quais manifestações entram na categoria de ilegítimas.

O Resenhando atualiza esta matéria quando o governo francês publicar a medida. Do outro lado do Atlântico, veja também a queda de 1,7% da atividade na Argentina em agosto e a nota do Itamaraty contra Milei.