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Itamaraty acusa Milei de ingerência na eleição e rebate insinuação de fraude na urna

Itamaraty rebate Milei após posts sobre fraude no 2º turno e diz que a urna eletrônica nunca registrou irregularidade. Veja o que diz a nota.

Neste texto3 tópicos
  1. O que diz a nota do Itamaraty
  2. Relação diplomática já estava rebaixada
  3. O que está em jogo além do discurso

O Itamaraty divulgou nesta terça-feira, 20, nota de repúdio contra o presidente da Argentina, Javier Milei, e o acusou de tentar interferir na eleição brasileira. O motivo foi uma sequência de postagens de Milei no X, na qual ele insinuou fraude no segundo turno, marcado para domingo, 25, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo a Agência Brasil, Milei compartilhou um trecho da entrevista de Lula ao SBT, concedida na noite de segunda-feira, e escreveu que espera que "o último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição". Em outra postagem, republicou um trecho do debate da TV Band, realizado no domingo, 18, e chamou Lula de "autoritário adorado pelos progressistas locais".

O que diz a nota do Itamaraty

A chancelaria afirmou que as declarações, "desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico", constituem "nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro". O texto diz ainda que o sistema brasileiro de votação "é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades" e que observadores eleitorais de vários países o confirmaram no primeiro turno.

O Itamaraty também atribuiu a Milei a repetição de "mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos". E fechou com a frase: "A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas".

O Jornal de Brasília reproduz os mesmos trechos da nota. Nenhuma das duas reportagens traz resposta do governo argentino ao comunicado.

Relação diplomática já estava rebaixada

A troca de acusações acontece com os dois países sem embaixadores. Desde agosto o Brasil não mantém embaixador em Buenos Aires e é representado por um encarregado de negócios, cargo de hierarquia menor. O embaixador argentino também deixou Brasília por determinação do governo brasileiro.

A crise começou em 26 de julho, quando Milei chamou Lula de "presidiário" durante a convenção do PL que indicou Flávio Bolsonaro candidato à Presidência. Na ocasião, ele também atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O embaixador brasileiro, Bitelli, foi chamado de volta a Brasília.

O Resenhando já mostrou como o assunto entrou na campanha: Lula passou a associar o plano econômico de Flávio à crise argentina, como relatado em 12 de outubro, e um jornalista brasileiro crítico de Milei foi barrado em Buenos Aires também em 12 de outubro.

O que está em jogo além do discurso

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina em compra e venda de mercadorias, e os dois são os maiores sócios do Mercosul. A integração é mais forte nos setores automotivo e industrial, segundo a Agência Brasil.

Os brasileiros votam no domingo, 25. A nota do Itamaraty não anuncia nova medida diplomática.