Jornalista brasileiro crítico de Milei é barrado em Buenos Aires e fica 5 anos sem poder entrar
Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar em Buenos Aires e ficará cinco anos sem poder voltar. Ele fala em perseguição; o documento cita falta de permanência.
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O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina nesta segunda-feira (12), ao desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. A Direção Nacional de Migrações (DNM) cancelou a residência permanente que ele tinha e fixou uma proibição de reingresso por cinco anos. As informações são da Agência Brasil.
Tomaz, conhecido por críticas ao governo do presidente Javier Milei, afirma que a medida tem motivação política. Em áudio enviado a contatos pelo WhatsApp, ele disse que assinou os papéis da decisão e que aguardava o voo de volta ao Brasil. "Se trata realmente de uma questão política", declarou. Ele relatou ter sido tratado com cordialidade pelas funcionárias da migração e disse que não cometeu nenhum delito.
O que diz o documento da migração
Segundo os papéis da DNM que o próprio jornalista encaminhou, a decisão se apoia em um decreto de 2025, que permite cancelar a permissão de residência quando as condições da concessão não são cumpridas. Tomaz obteve a residência permanente em janeiro de 2022. Ele diz que o documento valia até 2037.
A justificativa das autoridades, de acordo com o relato dele, é que ele não ficou tempo suficiente no país para manter o benefício e que não morava regularmente na Argentina desde 2022. O jornalista contesta: afirma que continuou viajando ao território argentino e que, só em 2026, passou 36 dias lá. O cancelamento da residência, segundo ele, foi registrado em 5 de agosto, uma semana depois de sua saída do país.
Tomaz disse que pode recorrer da sanção, mas avalia que não deve recuperar a residência permanente.
Os atritos que ele aponta como pano de fundo
O brasileiro relaciona o episódio a embates nas redes sociais entre julho e agosto com apoiadores e integrantes do governo argentino, em especial Juan Pablo Carreira, o "Juan Doe", diretor de Comunicação Digital da Presidência. Ele também afirma ter criticado um canal de streaming que, na avaliação dele, funciona como instrumento de comunicação política do governo.
Na mensagem de áudio, Tomaz ligou o caso ao que chama de escalada autoritária. Convém separar as coisas: até aqui, o que existe é a suspeita do jornalista. Os documentos que ele apresentou falam em descumprimento de condição de residência e não mencionam críticas ao governo, e nada nas informações disponíveis comprova que a decisão tenha sido tomada por causa do que ele publica. A reportagem da Agência Brasil não traz posição do governo argentino sobre o caso.
Neste ano, o governo Milei editou outro decreto, que proíbe a entrada e permite expulsar estrangeiros que tenham "dirigido mensagens de ódio ou incitado a violência contra o povo argentino ou seus cidadãos". Esse texto, porém, não é citado nos documentos de Tomaz como base da decisão.
Quem é o jornalista
Rogério Tomaz Jr. mora em Brasília e já trabalhou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados. Acompanha a política argentina e produz conteúdo sobre os efeitos das medidas do governo Milei, entre elas os cortes de gastos, as privatizações e a inflação. Ele prepara um livro sobre a gestão do presidente argentino, com publicação prevista para fevereiro de 2027.
Antes de embarcar, escreveu a contatos brasileiros que viajou para registrar imagens da situação econômica do país e do que descreveu como "escalada autoritária deste governo de extrema direita". Depois de desembarcar em Guarulhos, ele seguia para Brasília, onde mora, na tarde desta segunda.
Reação das entidades
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram nota em que repudiam a deportação e manifestam solidariedade ao colega.
O contexto econômico que o jornalista diz querer registrar aparece em outras matérias do Resenhando, como a queda de 0,6% do PIB argentino no segundo trimestre. O portal atualiza esta reportagem se o governo argentino ou a DNM se manifestarem.